Quarta-Feira, 21 de Fevereiro de 2018 - 11:37 (Internacional)

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COMUNIDADE NÔMADE QUE VIVEU TODA A VIDA NO MAR ESTÁ COM O FUTURO AMEAÇADO

Comunidade que viveu toda a vida no mar não é reconhecida por governo algum. Eles não têm cidadania e, por isso, não possuem direitos. Fotógrafo que começou a documentá-los em 2014 afirma que o conhecimento do povo sobre o oceano era tão profundo que eles eram capazes de sentir o tsunami antes de ele acontecer.


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Para alguns de nós, uma casa perto do mar é um sonho de consumo a ser alcançado. Mas para a comunidade Bajau Laut isso simplesmente faz parte de quem eles são. O povo ocupa a ilha de Bornéu, dividida entre a Indonésia, a Malásia e Brunéi.

Os nômades marinhos viveram praticamente toda a sua vida no oceano, com casas construídas em meio ao mar e tendo como principal sustento a pesca.

Eles só deixam suas embarcações e retornam à terra firme para trocar ou vender seus produtos.

Anteriormente, eles já viveram em muitas ilhas do arquipélago de Sulu nas Filipinas, mas muitos migraram para a área vizinha de Sabah, em Bornéu, devido ao conflito entre grupos muçulmanos e o governo das Filipinas.

Eles não têm cidadania e, por isso, não possuem direitos. Não são reconhecidos oficialmente pelo governo da Malásia. As famílias não têm acesso à políticas públicas, como o serviço de saúde, nem as crianças têm acesso à educação local.

Os Bajau tradicionalmente vivem em barcos artesanais, os “lepa-lepa“, trazendo tudo o que eles precisam para o mar, incluindo utensílios de cozinha, lâmpadas de querosene, comida, água e até plantas.

Durante muito tempo, pensou-se que a comunidade poderia estar desaparecendo, devido à diminuição do comércio e dos estoques de alimentos.

Nos últimos anos, um número cada vez maior de Bajau Laut está voltando para o continente em busca de trabalho — um movimento que pode decretar o fim desse modo de vida.

 

O fotógrafo britânico James Morgan começou a documentar a vida da comunidade Bajau em uma visita em 2014.

Em entrevista ao Business Insider, publicada neste mês, Morgan afirmou que o conhecimento do povo sobre o oceano era tão profundo que eles eram capazes de sentir o tsunami antes de ele acontecer e, assim, se preparar melhor para os impactos.

Os Bajau são caçadores-coletores e vivem basicamente da pesca submarina. Eles são mergulhadores profissionais e conseguem nadar profundidades de até 100 pés (cerca de 30 metros) em busca de peixes e pérolas.

Porém, as práticas de pescas destrutivas por parte de grandes pesqueiros são cada vez mais comuns na região. O uso de bombas de fertilizantes e cianeto de potássio destroem não só os recifes, mas também impactam inúmeras vidas.

Para Morgan, os Bajau revelam uma relação complexa com o oceano, considerado por eles uma entidade multifacetada e viva.

“Existem espíritos em correntes e marés, em recifes de corais e manguezais. O meu ponto de interesse é o potencial para encaixar a compreensão única do Bajau sobre o oceano com estratégias mais amplas de conservação marinha, de modo a facilitar a conservação, ao invés de destruir, a sua cultura e os espetaculares ambientes marinhos que eles chamaram de lar durante séculos“, defende o fotógrafo em depoimento em seu site.

Veja algumas imagens do povo Bajau:

Para evitar uma mordida dolorosa, Imran vai pegar este peixe colocando o polegar e o indicador nas suas sobrancelhas e, uma vez que ele estiver com os olhos vendados, ele o levará até o barco.

Jatmin volta com um polvo. As ferramentas utilizadas pelos Bajau são úteis para fisgar os animais em qualquer buraco em que elas se escondam.

Fonte: 012 - pragmatismo politico

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