Quinta-Feira, 04 de Janeiro de 2018 - 18:12 (Geral)

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POLÍCIA AMAZONENSE FAZ CAÇADA A FAZENDEIROS SUSPEITOS DE SUMIÇO DE SEM TERRA NO SUL DO AMAZONAS

As buscam se concentram na região da Fazenda Shalon, ao longo da BR-319 (sentido Porto Velho-Humaitá), à altura do quilômetro 56, onde Jairo Feitoza Pereira, Flávio Lima de Souza e Marinalva Silva de Souza foram vistos pela última vez.


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AÇUANÓPOLIS, Canutama/AM – Em lugar incerto e não sabido, os fazendeiros suspeitos do sumiço misterioso de três trabalhadores rurais no dia 14 de dezembro do ano passado ainda não foram capturados pela Policia Civil amazonense.

As buscam se concentram na região da Fazenda Shalon, ao longo da BR-319 (sentido Porto Velho-Humaitá), à altura do quilômetro 56, onde Jairo Feitoza Pereira, Flávio Lima de Souza e Marinalva Silva de Souza foram vistos pela última vez.

O ‘sumiço’ do grupo, segundo policiais da 62a Delegacia Interativa de Polícia, em Canutama (a 619 quilômetros em linha reta e a 1.274, na distância fluvial), teria sido motivado em decorrência de uma vistoria nas fundiárias da fazenda dos acusados.

A Juíza titular da Comarca de Canutama, Joseilda Pereira Bílio, mandou cumprir dois mandados contra os acusados. Desde o 27 de dezembro 2017, investigadores estão na região e uma segunda equipe, deve viajar a Porto Velho e ao interior do Estado onde os suspeitos teriam outros negócios, além da atividade na cadeia do agronegócio pecuário, madeireiro e residências.

Na decisão, a magistrada ordenou uma verdadeira ‘caça e vasculha’ nas propriedades dos acusados para efeito de buscar provas da ação atribuída a Antônio Mijoler Garcia Filho e a Rinaldo da Silva Mota, cuja prisão foi decretada no dia 26, um dia após o Natal.

De acordo com o coordenador das investigações de buscas e captura dos acusados, delegado Teotônio Rego, ‘a preventiva saiu após a data prevista para 23 passado, mas nem as festas do Ano Novo impediram o Tribunal de fazê-lo’.

ENTENDA O CASO – A área onde estão as famílias (Igarapé do Arara) é de domínio da União Federal, como as demais ocupadas ilegalmente por madeireiros e fazendeiros rondonienses ao sul de Lábrea e Canutama.

A motivação para tantos conflitos nessa parte do Amazonas e Rondônia (distritos de Nova Vista Alegre do Abunã, Extrema, Mutum-Paraná e Jacy-Paraná), além do marco divisório entre Canutama, Lábrea, Canutama e Humaitá, ao longo da BR-319, ao menos três décadas é motivado pela grilagem e pistolagem advindas do vizinho estado rondoniense.

As terras em litígio permanente entre nativos e migrantes sudesinos (gaúchos, paranaenses e catarinenses além de estrangeiros) engrossam, há décadas, a zona de conflito fundiário; que se dá em virtude da baixa governança do Palácio Rio Negro (sede do governo amazonense) na divisa e região das três bandeiras (Acre, Rondônia e Amazonas).   

NEWSRONDÔNIA foi a Humaitá e obteve a informação junto a setores do órgão, segundo a qual, ‘a Justiça Federal homologou, através de decisão, que a área é pública e não propriedade particular’.

Por conta disso, a área já havia sido destinadas ao assentamento de famílias de trabalhadores rurais sem-terra’.

Além da frágil governança das autoridades amazonense no Sul de Canutama, Lábrea, Canutama, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuy, em Boca do Acre, no sudoeste do Estado, ‘milicianos travestidos de narcotraficantes rondonienses, também são acusados de tocar o terror nas comunidades indígenas e ribeirinhas’,  se queixam ativistas ambientais e agrários, na Porto Velho Capital.      

MODUS OPERANDI – Na inicial, a grilagem se dar através de propostas de compra à vista por parte de grupos migrantes saídos, sobretudo de cidades do Cone Sul de Rondônia (Corumbiara, Pimenteiras do Oeste, Vilhena, Cerejeiras, Colorado do Oeste e Pimenta Bueno).

Na recusa do negócio proposto por madeireiros e fazendeiros, famílias nativas passam ser ameaçadas e ao final, podem ter seus casebres e tapiris (choupanas) incendiados. Jogadas fora da terra sob a ameaça fortíssima de pistoleiros, com ajudinha de servidores, começa a suposta regularização (?) conhecida por ‘esquentamento de títulos supostamente caducos’.

Fonte: NewsRondônia

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