Terça-Feira, 19 de Dezembro de 2017 - 09:46 (Colaboradores)

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LIVRE

A DECISÃO, QUANDO O ÓDIO NOS FAZ MAL (PARTE II)

Lembrou-se da titia Creusa (das deliciosas tortas dela também). Da prima Dandara que fora morar na Bolívia para vender seus mimosos artesanatos (e viver ao lado do marido).


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Capítulo 2

A pintora caminhou em passos lentos até a sala sofisticada (alguns móveis eram importados) e cheirosa. Ela usava um longo vestido azul desenhado por um famoso estilista inglês. Sentiu o perfume suave do ambiente. Seu Mário tocava piano com enorme emoção após ingerir três taças de um bom vinho. Letícia parou diante do exímio pianista embriagado. Cruzou os braços delicados. Contemplou o pai. Fechou os olhos devagar.

Lembrou-se da titia Creusa (das deliciosas tortas dela também). Da prima Dandara que fora morar na Bolívia para vender seus mimosos artesanatos (e viver ao lado do marido). Da vovó Lúcia que contava-lhe inúmeras histórias fantásticas (a idosa dizia-lhe que chegou a conhecer Tarsila do Amaral).

Silêncio. Seu Mário e Letícia se olharam.

- Cansei de tocar – confessou o pai. – Que Joseph Haydn me perdoe!

- Continue, papai. O senhor toca com a alma!

O pianista gargalhou.

- Sentimentalismo exagerado!

- O senhor bebeu?

- É proibido? Mostre-me a lei. Creio que não há, Letícia. Deixe de ser infantil.

- O Senhor não bebe só vinho. Eu sei. O senhor está se matando. Bebe excessivamente.

- Quem paga o vinho que bebo é você?

- Não é só vinho, papai.

- Quem sustenta o meu vício é você?

- Não, papai.

- Fique calada, querida filha. Garanto-lhe que é uma atitude extremamente sensata!

- Virou uma anarquista?

- Não é momento de piadas, papai. Apenas estou preocupada com a sua saúde. Não quero que nada de mal venha lhe suceder.

Seu Mário calou-se. Foi fumar na biblioteca. A filha olhou-se no espelho. O telefone tocou.

CONTINUA...

Fonte: Alberto Ayala /NewsRondônia

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