Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017 - 09:29 (Colaboradores)

L
LIVRE

ZÉ DENTINHO E DORALICE – UMA COMÉDIA BRASILEIRA

Num dos quartos da casa, minhas três filhas entregam-se à prosa gostosa. Elas riem, relembram situações vividas, fazem a festa. Luciana quer ser estilista.


Imprimir página

Capítulo 2

Todo o dia agradeço a Deus pela graça de viver (viver é bom!). E logo me pego sorrindo feito besta. Mas besta garanto que não sou não. Tenho três filhas lindas e um filho macho pra honrar o velho pai (calejado de tantas labutas). Ah... Vicente, filho amado!

Enquanto escrevo (agora tô dando uma de escritor), minha querida Doralice lê, sentada na poltrona, Os ratos, de Dionélio Machado (ela sempre gostou de literatura). As janelas da sala estão abertas. O vento entra, vai entrando, refrescando quem tá com calor.

Num dos quartos da casa, minhas três filhas entregam-se à prosa gostosa. Elas riem, relembram situações vividas, fazem a festa. Luciana quer ser estilista. Sonha mostrar seu talento pro mundo. Amélia é ligada nos acontecimentos históricos (na escola, escreveu um conto que se passa na época da Revolução Francesa). Quer ser historiadora. E Rute, pretende virar uma importante pintora (que elas consigam alcançar seus objetivos).

Na varanda, Vicente conserta um ventilador antigo (a dona é Irene, sua sogra). Ele é extremamente minucioso nos trabalhos manuais (desde cedo capinava comigo). Porém, meu filho estuda. Ser advogado é o seu foco.

Sim. Por que eu iria ser contra a felicidade dele? Ser pai é também respeitar certas escolhas do filho.

Bem, é melhor narrar como eu consegui ser um vencedor. Não foi fácil. Tive lutas. Chorei muito. Com a morte dos meus pais, vim tentar a vida aqui na imensa São Paulo. Trabalhei de várias coisas. Passei fome. Passei frio. Mas com coragem ajuntei dinheiro, comprei terrenos, aluguei eles, faturei mais dinheiro e fui investindo em negócios. Eu não tinha dente (por isso me apelidaram de Zé Dentinho), não tinha estudo, não tinha família pra me apoiar. Era Deus e eu. Só nós dois.

Em sete anos me vi rico. Rico de verdade. Doralice me conheceu pobre e desdentado. Mas o amor gritou alto (e cegou ela, admito!). O povo que conhecia o antigo Zé Dentinho ficou de boca aberta (e pode ter certeza: o mosquito entrou na boca de algum deles). Não acreditavam no milagre. Sim. Eu venci. Com fé no Senhor Jesus (Ele é FIEL) e em mim (mesmo na miséria acreditava na riqueza). E deu no que deu. Hoje eu estou morando em Paris. Daqui a pouco vou jantar com um senador.

FIM

Fonte: Alberto Ayala /NewsRondônia

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias