Sexta-Feira, 01 de Dezembro de 2017 - 14:08 (Colaboradores)

12
Não recomendado para menores de 12 anos

A DECISÃO - CAPÍTULO 7

O perdão é único canal para se libertar do ódio


Imprimir página

Último capítulo

Luz vermelha, a janela aberta, o vento frio da noite, que arrepia muitos, que arrepiou Letícia. Esta vivia carregando dentro de si o ódio. Ódio de Valéria que parecia não sofrer. Esta queria vê-la na amargura. Esta queria vê-la absolutamente acabada. No fundo do seu ser desejava matá-la com um tiro no coração. Pensara nisso diversas vezes. Porém, esta não almejava a cadeia. A morte de Valéria deveria ser cruel. E Letícia... Letícia virou cruel.

Ficaram trocando farpas dias e dias. Até brigaram. Uma sentia raiva da outra. Não uma raiva comum. E sim uma raiva maligna, que vai inundando todo o EU. Valéria não mudara. Letícia transformara-se. Valéria continuava a mesma. Os pensamentos das duas eram sombrios. Fétidos. E elas não tinham paz.

Antes de chegar dezembro, seu Mário teve um infarto. Não resistiu. Faleceu. Uma semana depois, Lúcia partiu também. Dormiu e não acordou mais.

Emília ficou famosa no exterior. Dona Creusa conheceu vários artistas do samba. Virou cantora. Dandara teve quatro filhos. Acabou na miséria. Morando de aluguel numa casa de madeira, sem banheiro. Cagavam no saco e jogavam no mato.

Letícia espera Valéria na ponte. É madrugada. A ex-professora está armada. A outra chega. Em passos lentos. Está armada também.

- Eu pensei demais na minha vida hoje.

- Foi, Letícia?

- Foi. E em você, Valéria.

- Engraçado. Uma pensou na outra.

- Eu tô armada!

- Eu também!

- Verdade?

 - Verdade.

- Mas a madame Silvana disse que eu deveria tomar uma decisão certa para poder me livrar da mágoa. Ela me machuca. Eu preciso tomar a decisão.

- E você decide tomar qual decisão?

- Eu te dou o meu perdão, valéria. Por anos eu nutri um ódio por você. Entrei no cabaré revoltada com tudo e com todos. Me afundei mais ainda. Desejei me vingar de você. Consegui? Não. Eu não posso me vingar de ninguém. Eu não sou Deus.

Valéria sorri emocionada.

- Me perdoa, Letícia?

- Eu já te perdoei.

As duas se abraçam. Perdoam-se sinceramente. Do nada, ouve-se um forte estalo. A ponte cai. Ouve-se gritos. Letícia e Valéria no fundo do lago, abraçadas, elas perdem o fôlego de vida

"A morte é a única certeza." - Arlindo de Assis

 fim

 

 

CAPITULO 1

CAPITULO 6

CAPITULO 2 CAPITULO 3 CAPITULO 4 CAPITULO 5

Fonte: Alberto Ayala /NewsRondônia

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias