Terça-Feira, 28 de Novembro de 2017 - 14:53 (Colaboradores)

12
Não recomendado para menores de 12 anos

A DECISÃO - CAPÍTULO 4

Folhas secas caídas no chão, tantas, clima agradável. A professora e o médico acomodaram-se no banco da praça pintado de azul. Letícia agradeceu:


Imprimir página

No sofá, Jorge esperava Valéria, louco de desejo. A prostituta aproximou-se do cliente fantasiada de diaba. Aproximou-se sorrindo sensualmente. O psiquiatra levantou, beijou a mulher com querer, com gosto.

- Você é uma tentação, garota - disse o homem. - Eu adoro garotas que me fazem ter prazer. Elas me deixam louco.

Valéria riu. Jorge também.

- Eu quero te possuir - confessou o cliente.

- Quer mesmo, rei? Quer? - perguntou a prostituta.

- É uma ordem - respondeu o psiquiatra.

- Verdade? - brincou Valéria.

- Óbvio. Eu necessito do teu corpo, dos teus lábios. Eu quero você entregue, inteira. Você é minha!

Naquela manhã, os dois transaram intensamente.

Folhas secas caídas no chão, tantas, clima agradável. A professora e o médico acomodaram-se no banco da praça pintado de azul. Letícia agradeceu:

- Eu agradeço por você ter me socorrido, Lauro.

- Foi o meu dever!

Duas crianças passaram correndo por eles.

- E como está o Augusto?

- O Augusto?

- É. Seu marido.

- Ele não é muito presente, Lauro. A ausência dele me fere bastante.

- Vocês já conversaram direito?

- Não. Nós sempre acabamos discutindo. E conversar é outra coisa. Tô mentindo?

- Fala a verdade.

- Que bom que a gente se reencontrou, Lauro.

O médico abriu um sorriso. Os olhos brilharam.

- E a sua esposa?

- Esposa?

- Sim.

- Eu sou solteiro, Letícia. Não encontrei a pessoa certa.

- Sério?

- Não tá acreditando, Letícia?

- Meu Deus!

- Eu preciso da ajuda divina, Letícia.

- Nem amou ninguém?

- Amor verdadeiro?

- É. O amor que une dois espíritos.

Lauro pegou na mão da professora delicadamente. Olhou bem nos olhos dela. Ela se esquivou do toque dele.

- Já amei sim. Na verdade, ainda amo.

- Por que não luta pela sua amada? É tão impossível assim?

- Absolutamente.

- Quem é ela? Você pode me dizer quem é ela?

- É você, Letícia. Eu não posso mais reprimir meus sentimentos. Eu te amo!

A professora ergueu-se.

- A gente não deve manter tanto contato, Lauro.

- Desculpa. Desculpa, Letícia. Eu te constrangi?

- Um pouco. Eu não sabia que você sentia algo por mim.

- Eu peguei nas tuas nãos lá no hospital. Tão macias, Letícia!

- Você não deveria fazer isso. Nós não temos nenhum envolvimento amoroso.

- Desculpa.

- Eu te desculpo. Mas não me toque mais de modo afetuoso demais. Eu sou casada. E o meu esposo é que deve me fazer carinho. Não um estranho.

 - Perdão!

- Lauro, me esqueça.

- Esquecer?

- O Augusto é o meu homem, Lauro. E eu devo ser fiel. Busque amar outra mulher. Eu não posso ser sua!

- Ele te faz feliz?

- Adeus!

Letícia deitou na cama pensativa. Não podia trair o esposo. Jamais! E seu Mário bebia uma cerveja na sala, só assistindo o futebol. Resolvera visitar a filha, para pedir dinheiro, é claro! A professora nunca amara Lauro. Nem desejou tê-lo como amante. Colocava fé no marido.

- Filha! - gritou o pai.

- já vai - respondeu ela.

Foi até a sala. Entregou uma mimosa quantia de dinheiro nas mãos do  pai.

- É para os remédios?

- Remédios, filha? Eles me fazem ficar mais doentes. É pro meu samba, pra feijoada. Não quer ir comigo? Te garanto que vai ser legal.

- Quando é o samba, pai?

- Domingo. Lá na casa da Creusa.

- E a Lúcia vai tá lá?

- Essa Lúcia só bebe e sustenta os universitários. É certa a presença dela no forró.

- A Lúcia só é barraco, pai. Lembra daquele dia que ela puxou a faca pra Brunga?

- Lembro. Ela saiu algemada. E ainda tentou tocar fogo na casa da mulher. Coitada da Brunga!

- É. A Lúcia é fogo!

- Não só fogo, Letícia. Fogo e trovão.

Chegou o domingo. A professora e o pai compareceram no samba. A dona da festa foi logo anunciando:

- Olha a moral, gente!

O povo fez barulho. Letícia não conteve a alegria. Abraçou dona Creusa que sacudiu a bichinha.

- Tá bonita, mulher? Como é que tá o Augusto?

- Visitando a mãe.

- Me perdoa a sinceridade, flor. Mas o Augusto só é caô.  

- Todo mundo sabe que o Augusto é caô, filha. Só falta você enxergar a verdade.

Letícia resolveu mudar o rumo da conversa.

- Como vai a Tati, Creusa?

- Danada. Daqui a pouco ela chega do baile. Foi dançar funk. Só Jesus na causa dela.

- Por que só Jesus?

- A garota deu pra correr atrás de um bandido de moto. Eu já falei pra ela estudar. E ela me ouve? Ouve nada. É uma rebelde!

Letícia e seu Mário olharam-se. Lúcia apareceu ao lado da sobrinha.

- Lá vem a Lúcia, gente! - gritou dona Creusa ajeitando o vestido comprado na promoção, caminhando na direção das duas.

Dandara cutucou Letícia.

- Tudo bem, querida?

- Tudo, Letícia. Sabe quem é aquela do lado da Lúcia?

- Não.

-  É a Valéria. Valéria é o cão tomando açaí.

- E daí, Dandara? Eu não julgo ela. Você deveria fazer o mesmo.

- Não julga?

- Não julgo.

Creusa segurou Dandara. A cabeleireira gritou:

- A Valéria é a outra do teu marido!

Valéria avançou em cima de Dandara. Deu Três tapas na mulher. As duas rolaram no chão feito duas cadelas famintas. Lúcia pegou uma faca, fez Letícia de refém no desespero.

- Eu vou matar a madame! - afirmou.

Seu Mário pediu:

- Larga a minha filha, Lúcia.

- Eu vou matar a madame - repetiu a empregada doméstica.

O povo apartou a briga de Dandara e Valéria. Lúcia largou a faca e fugiu pelos fundos da casa.

Continua...

 

 

Fonte: Alberto Ayala /NewsRondônia

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias