Quinta-Feira, 23 de Novembro de 2017 - 11:24 (Colaboradores)

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A DECISÃO - CAPÍTULO 2

Eu quero saber o motivo pelo qual a gente não conversa como antes - disse Letícia olhando bem para o esposo.


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Por Alberto Ayala

Amanheceu chovendo. Quinta. 

- Eu quero saber o motivo pelo qual a gente não conversa como antes - disse Letícia olhando bem para o esposo.

- Você acha que eu preciso passar o tempo todo conversando com você pra provar o meu amor? - questionou Augusto.

- Não. Não é isso que eu estou falando. Não fuja do assunto - retrucou a professora. Sentou na poltrona. O marido olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos castanhos. O adultério o fez ficar mais vaidoso.

- A minha vida é tão corrida, amor. São inúmeros compromissos, inúmeros...

- Mentiroso. O meu pai fala que você está com outra - gritou Letícia.

Augusto também gritou:

- Aquele velho é um canalha.

- Respeite o meu pai.

- Canalha e bêbado. Gasta todo o dinheiro só na cachaça.

Letícia levantou. Augusto se aproximou dela.

- Você me trai!

O advogado riu.

- Quem te falou tamanha loucura?

- Eu sinto!

- Sente?

- Sinto. As mulheres são sensíveis, Augusto. Elas sentem quando algo não vai bem. Principalmente com o marido.

- Eu tô sendo injustiçado!

- Verdade?

- Não seja irônica. Você fica ridícula!

A professora perguntou:

- Você não me trai mesmo?

- Não. Ontem eu só fui espairecer um pouco lá na praia após sair do trabalho. Será que serei condenado por causa disso?

- Depende. Depende dos seus atos.

Sexta, noite. Quarto de motel.

- E a chata da tua mulher desconfiou? - quis saber Valéria enquanto passava creme nos braços. Augusto estava fumando sentado na poltrona todo relaxado.

- Sim. E ainda me deu lição de moral.

A prostituta sorriu maliciosamente.

- Ela é uma idiota!

- Eu sei.

- Quando você vai largar a mala?

- No dia que eu tiver dinheiro suficiente pra gente poder se amar sem limites. Não vai demorar. Acredite.

Valéria foi até Augusto. Beijou o seu homem clandestino. Ele puxou os cabelos dela. A prostituta sorriu. Os dois riram.

Livraria. Sábado, tarde.

Muito movimento, novos livros.

O médico procurava uma obra de Lygia Fagundes Telles. Admirava demais o trabalho literário da artista. Letícia desceu os degraus da escada. Pensava em outras coisas. Deu uma olhada ao seu redor. A vista escureceu. Caiu no chão

 

Fonte: Alberto Ayala /NewsRondônia

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