HISTÓRIAS PITORESCAS DO DIA DE FINADOS

Nesta postagem, vamos lembrar alguns dessas histórias, que quando contadas num ambiente, - vamos classificar de tenebroso - as pessoas ficam arrepiadas.
Quinta-Feira, 02 de Novembro de 2017 - 18:15

Muitas são as histórias que ouvimos sobre ‘causos’ que se passaram num dia de finados.

Nesta postagem, vamos lembrar alguns dessas histórias, que quando contadas num ambiente, - vamos classificar de tenebroso - as pessoas ficam arrepiadas.

Finados na rádio Caiari

Naquele dia de finados de 1961, eu e o José Ferreira da Silva - Piaba, fomos escalados pela direção da rádio Caiari para colocar a emissora no ar às 18 horas (Seis da Noite). Naquele tempo eu já me aventurava como locutor e naquele dia, o Piaba estava de plantão como operador de som ou sonoplasta.

Encontramos-nos no Cemitério dos Inocentes e juntos, subimos para a rádio cujo estúdio era no prédio da prelazia atrás da catedral (onde hoje é a residência de Dom Moacir Grechi), naquele tempo a entrada era pelo lado da catedral.

Para chegarmos ao estúdio, tínhamos que atravessar o corredor da escolinha Domingos Sávio que funcionava no mesmo prédio, tudo escuro. Piaba ligou o transmissor cuja chave ficava ao lado da mesa de som e eu entrei pra cabine de locução e passei a ler um texto próprio para o Dia de Finados era um negócio muito triste. Piaba colocou uma música fúnebre como fundo musical e eu dentro do estúdio todo arrepiado de medo. Quando terminei de ler o texto - parece até que tínhamos combinado – Piaba já havia desligado o transmissor e me esperava na porta da cabine. Um olhou pro outro e sem falar nada, saímos correndo no rumo da porta. Deixamos a rádio com as portas abertas. No outro dia pegamos um “puxão” de orelha do padre Vitor Hugo.

Baba e a Cruz dos Inocentes

Naquele dia de finados de 1977, saímos eu, Baba e Arnóbio a gente trabalhava na CERON por isso sempre aproveitávamos os feriados para tomar umas e outras.

O movimento no campo santos era intenso, vale lembrar que ainda existia muro daquele lado do Cemitério, era cerca de arame farpado. Chegamos ao Bar por volta de meio dia e haja cerveja e cachaça.

Já era noitinha quando o Babá desapareceu do Bar que estava cheio de freguês. Arnóbio e eu estávamos disputando cerveja na porrinha com outros fregueses.

De repente a senhora proprietário do bar começa a gritar desesperada:

- moço, por favor, não entre com isso no meu bar. Ai meu Deus!

Quando olhei pra ver o que era, vi com esses olhos que a terra há de comer, o Baba segurando com as duas mãos uma CRUZ que havia tirado de uma sepultura do Cemitério dos Inocentes e totalmente transtornado (Babá era negros mais estava branquinho) ameaçava entrar no Bar com aquela Cruz, quem estava bêbado ficou bom e quem só estava de curioso saiu correndo no rumo do bar do Antônio do Violão tentando se esconder do Babá com a Cruz.

O velório do Daniel

Esse não foi no dia de Finados, porém, tem tudo a ver com esses ‘causos’.

Daniel Zelada era irmão do famoso Zelada cantando em verso e prosa pelos poetas da Baixa da União. Bom! Daniel trabalhava na Usina que a gente chamava de “Fábrica de Borracha” local onde eu também trabalhava, isso no final da década de 1960.

De repente Daniel morre de enfarto e eu com seu sobrinho Raimundo Serrati, fomos pro velório que foi na residência de Daniel a rua Alexandre Guimarães sub esquina com a Prudente de Moraes no Areal. A boca da noite o velório estava lotado, não garrafa de café que agüentasse, porém, quando a luz foi embora por volta das onze horas da Nolte, a casa foi esvaziando, resultado a meia noite eu e o Serrati fomos pra frente da casa e sentam os num banco de madeira e ali ficamos, as velas que estavam ao redor do caixão, se apagaram todas e eu e o Serrati ficamos ali naquele banquinho, sem falar nada, sem se levantar pra beber água ou urinar. A noite passou e a madrugada chegou e nos dois lá sentados sem enxerga nada pois a noite estava muito escura.

Quando deu cinco horas da madrugada, vimos uma luzinha acender na esquina da Alexandre com a José de Alencar, sem falar nada, pulamos daquele banquinho e sem os correndo no rumo daquela luz, e ao chegar, demos graças a Deus era a luz da lamparina que iluminava a Banca da dona Maria que vendia café com pão e salgados em geral. Foi uma alívio. O defunto passou a noite sem ter vela acesa ao redor do caixão, tudo pela falta de coragem do seu sobrinho e do seu colega de trabalho.

O enterro do Daniel Zelada foi bastante concorrido, porém, nem eu nem o Serrati o acompanhamos até sua última morada.

E tem a historio do Amo de Boi Bumba Augusto Queixada que ao passar em frente a Cemitério dos Inocentes, ouviu uns gemidos e então aproveitou a deixa e fez uma toada cuja letra começa assim: “Em altas horas, ouvi gemer, Fora de hora ouvi chorar...”. Ele jurava que era o gemido de uma alma penada.

Antigamente a gente marcava encontro no “Cruzeiro” do Cemitério e ali ficávamos contando histórias de velório e de cemitério.  Se você tem alguma dessas histórias entre em contato pelo email: [email protected]

Fonte - Ze Katraca/NewsRondônia

Comentários

Siga-nos:

POLITICA DE PRIVACIDADE

Todos os direitos reservados. © News Rondonia - 2021.