Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2016 - 14:03 (Colaboradores)

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JARU: A TERRA DE GIGANTES

Arredios e agressivos, os Jarus se confundiam com os índios Toras, Urupás e os Pacaás Novos; estes últimos pertenciam às nações dos Jarus e Chapacuras.


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Dentre as grandes nações indígenas que dominavam a região territorial de Rondônia, destacavam-se os Jarus, que se localizavam às margens dos igarapés Pacaás Novas e Ouro Preto, afluentes do rio Mamoré; Aripuanã e Roosevelt, além do rio que leva seu nome.

Arredios e agressivos, os Jarus se confundiam com os índios Toras, Urupás e os Pacaás Novos; estes últimos pertenciam às nações dos Jarus e Chapacuras.

Ali, sob o imenso tapete floral, entre o espaço geográfico já mencionado, e principalmente entre os rios que eram denominados pelos índios de “Tramac” e “ Uaneri”, mais tarde denominados pela comissão Rondon por Jaru e Anari, respectivamente. Vivia a nação Jaru, ao lado dos Tupis, Aruaques, Muras, Caraíbas, dentre outros grupos, até a passagem da linha telegráfica em 1909, quando Rondon rasgara a densa floresta tropical nas terras de Rondônia, em busca de Santo Antônio do rio Madeira. Naquela época, já os nordestinos marcavam sua presença explorando o látex e arrasando as tribos locais, das quais Rondon ainda encontrou vestígios nítidos, como três grandes capoeiras e bananais, já denominadas pelos seringueiros, por São Pedro, a que ficavam em águas do Coatá, São João e uma outra mais para os lados do Anari. Tais capoeiras foram localizadas entre 1916-17, quando o tenente-coronel Nicolau Bueno Horta Barbosa, um dos membros da Comissão Rondon, foi incumbido de explorar o Anari, então localizou também, alguns poucos Jarus em andanças pela região.

Em 1912, Rondon voltava pela picada feita anteriormente, agora fincando os postes e esticando o fio da linha telegráfica, ao mesmo tempo em que construía a rústica estação do Jaru, em volta da qual guardas-fios e seringueiros construíam seus tapiris. Também uma firma (CENSE) instalou aí o barracão Santos Dumont, por considerar lugar estratégico, entre a forquilha formada pelo rio Jaru e a picada da linha telegráfica. Entretanto, como o nome foi dado pela comissão Rondon, em homenagem à nação Jaru, perpassou o tempo com alguns poucos moradores dos seringais do senhor Cantanhede que chegara ali, depois de assumir o controle da Companhia, quando então tornou-se fundador do Seringal Setenta. Seringueiros e guarda-fios viveram ali até a abertura da BR-364 e a implantação de projetos de colonização do INCRA, como o Padre Adolfo Hohl, responsável pelo crescimento explosivo do minguado lugarejo em finais da década de 60 do século XX, mas que fora crescendo à medida em que os migrantes iam penetrando nas linhas abertas por eles e pelo INCRA.

Com o asfaltamento e inauguração da BR 364, iniciou-se ali, um ponto de apoio aos camponeses e empreiteiras, havendo alguns poucos comerciantes que permaneceram até o momento histórico da ocupação pelos agricultores vindos do sul do país, atraídos pelas terras férteis e também porque tinham na certeza de conseguirem seu próprio sítio onde haveriam de produzir.

Ali, as dificuldades foram enormes e cruéis com os migrantes, mesmo assim sobreviveram como bravos, vendo seus familiares sendo ceifados pela morte decorrente da malária, que chegou a motivar a triste cognominação de “pátria da malária”, pelo jornal “O Guaporé”. Outros males danosos, o isolamento decorrente da precariedade das estradas de penetração e, até mesmo da BR 364 antes de sua inauguração, que em épocas de chuvas, torna difícil o acesso a outros cantos de Rondônia.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte: Aleks Palitot

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