Sabado, 21 de Julho de 2012 - 08:00 (Cidades)

CONCURSO PÚBLICO EM VILHENA: O GOLPE FINAL NAS 15 MIL VÍTIMAS DO PREFEITO ROVER

Prefeitura não vai mais realizar o concurso público que por duas vezes foi anulado por indícios de fraudes e favorecimento


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No último dia 10 de julho prefeito José Rover enviou um ofício para a Câmara Municipal assinado por ele dando um golpe final naquilo que se configurou como um dos grandes escândalos de sua administração. Pelo expediente ele retirou o pedido de mais meio milhão de reais que ele havia solicitado dos vereadores para a realização de um terceiro concurso público no pouco mais de três anos e meio de mandato. Os dois anteriores foram cancelados pela justiça por fortes indícios de fraude e favorecimento a pessoas indicadas por secretários municipais e vereadores. Dois dias depois ele enviou outro pedido, mais modesto, de R$ 20 mil, para contratar uma empresa visando contratar servidores para a saúde através de processo seletivo, outro sistema que favorece apenas quem é indicado, uma vez que não é feito concurso público. Este os vereadores aprovaram.

Com esse golpe final o prefeito Rover fecha o mandato com a sina de não conseguir sequer realizar um concurso público decente, com concorrência leal e disputa honesta. Somando os dois concursos anteriores que foram cancelados por robustas provas de marmelada e favorecimento para pessoas indicadas por seu grupo, foram 15 mil pessoas que pagaram para garantir uma disputa honesta por um cargo público em um jogo que já estava com as cartas marcadas, segundo apurou preliminarmente a justiça. O primeiro foi em outubro de 2010. O segundo em dezembro de 2011. As taxas de inscrições foram de R$ 45 e R$ 75 para as funções de ensino fundamental/médio e superior respectivamente. A Saber, do Paraná, fez o primeiro certame. O segundo foi o IRPE, uma empresa de Ariquemes que aceitou o jogo e foi condenada a não mais operar em Rondônia por meio de seu sócio Michel Madelha.

Além dos gastos com as inscrições em duas oportunidades, muita gente pagou cursinhos preparatórios para se preparar para o concurso. Outros vieram de outros municípios, alguns de outros estados pelo sonho de uma carreira no serviço público. Tudo virou em frustração. Apesar das duas farsas muitas pessoas ainda confiavam que a prefeitura iria realizar o concurso este ano. Tanto é que nem foram à prefeitura retirar o dinheiro de suas inscrições. Alguns que foram receberam a orientação para esperar pelo novo certame. Outros perderam as inscrições porque não ficaram com o comprovante, e nesse caso, embora a prefeitura saiba quem fez a inscrição, quem tem que provar que se inscreveu é o candidato. Outra parte recebeu o dinheiro e desistiu de esperar por um novo concurso, prevendo quem o prefeito Zé Rover não iria dar cabo de realizar o evento. Estavam certo.

Em um ofício lacônico para a Câmara, sem maiores explicações, o prefeito Rover arrematou o golpe nos sonhos dos vilhenenses que ainda sonhavam com uma terceira chance de alcançar a estabilidade de um concurso público. “Não é apenas o dinheiro das taxas, que por si só não é todo mundo que tem, foram as horas de sono perdidas estudando, se preparando para o concurso que a gente esperava fosse honesto, os cursinhos preparatórios que não são baratos e o pior: a nossa frustração pessoal de achar que estava participando de algo honesto, sério. E os nossos sonhos de um emprego estável, quem é que vai pagar”? Disse Josemar Pereira, um dos 15 mil que tiveram suas expectativas frustradas.

Fonte: vilhenahoje

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