Terça-Feira, 20 de Julho de 2021 - 17:01 (MINHA HISTÓRIA)

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Mulher ensina colega do trabalho a ler e escrever no horário de almoço

As duas mulheres moram em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, e trabalham juntas na área de limpeza da unidade do Poupatempo da cidade.


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Todos os dias, Eliene Maria da Conceição e Edvania de Oliveira, passam a hora do almoço juntas, mas não é para fazer a refeição apenas: elas têm aula de leitura e escrita.

Eliene confessou há um tempo para a amiga que não sabia ler e nem escrever. Edvania abraçou a causa da colega de trabalho e, desde então, tem cumprido a missão com carinho.

“Eu falei para ela: ‘amiga, eu não sei ler na hora de usar os produtos de limpeza’. Então pedi para ela ficar com essa parte dos produtos porque sabia ler”, disse Eliene.

As duas mulheres moram em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, e trabalham juntas na área de limpeza da unidade do Poupatempo da cidade.

Humilhada por não saber ler

A identificação entre as duas foi imediata, mas Eliene conta que a aproximação aconteceu mesmo quando ela falou sobre uma tristeza antiga: não ter sido alfabetizada.

A história tocou o coração da Edvania e a empatia nutrida mudou a vida das duas.

“Chegou o dia que a Eliene chegou aqui muito triste, passou por um momento que uma pessoa a humilhou porque ela não sabia ler. Ela conversou comigo e chorou. Eu senti a dor dela”, lembra Edvania.

Aulas

A vontade de ensinar a amiga fez com que Edvania começasse a dar aulas para Eliene.

As lições acontecem no horário do almoço, todos os dias. A Edvania ensina o que aprendeu quando ajudou um dos filhos que tinha dificuldades na escola.

E a dedicação da amiga é motivo de orgulho.

“Eu tenho muito orgulho dela, porque ela tem muita vontade. A gente sabe que não é fácil, que tem uma barreira, mas ela está todo dia aqui perseverando, fazendo as ‘tarefinhas’, aprendendo, estudando em casa antes de dormir”, afirma.

Eliene recebe também o incentivo de outros colegas de trabalho. “A minha chefe me deu um caderninho, lápis, estojo, e fiquei emocionada, porque vi com aquilo que eu ia aprender mesmo”, diz emocionada.

Primeiras palavras

Eliene se emocionou também quando conseguiu escrever as primeiras palavras. Ela usou o celular para enviar uma mensagem ao filho.

“Chorei de felicidade quando ele respondeu: ‘que lindo mãe, está certinho’. Fiquei muito emocionada.”

As amigas – aluna e professora – são a prova de que sonhos não têm idade nem prazo para serem realizados. “Uma coisa mudou em mim também. Eu acho que é hora de buscar mais conhecimento também”, afirma Edvania.

“Você consegue, é só ter coragem e força de vontade. Eu vou conseguir ler, eu já consegui”, concluiu Eliene.

Fonte: 20 - Por Monique de Carvalho / só noticia boa

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