Sabado, 22 de Maio de 2021 - 10:00 (Polícia)

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Justiça marca para outubro julgamento de um dos PMs acusados de matar adolescente com tiros na cabeça em 2020

Sargento Adriano Campos será julgado em 13 de outubro pelo assassinato de Guilherme Guedes, de 15 anos, em junho de 2020, em São Paulo. Corpo foi achado em Diadema, Grande SP. Policial nega crime. Ele e ex-policial militar Gilberto Rodrigues estão presos acusados de homicídio.


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A Justiça de São Paulo marcou para 13 de outubro o julgamento do sargento da Polícia Militar (PM) Adriano Fernandes de Campos, apontado como um dos assassinos de Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. O adolescente foi baleado à queima-roupa e morto em 14 de junho de 2020 na Zona Sul da capital. Seu corpo foi encontrado em Diadema, na Grande São Paulo.

Segundo o Ministério Público (MP), dois seguranças particulares, o policial militar Adriano e o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues cometeram o crime. De acordo com a denúncia, os acusados achavam que a vítima tinha invadido uma empresa com ladrões para roubar pertences dos veículos estacionados.

Adriano está preso desde 17 de junho do ano passado. Ele responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima). O réu nega o crime.

Gilberto também é acusado do mesmo crime. Ele era procurado pela polícia e foi preso na última quinta-feira (13) em Peruíbe, litoral paulista. O réu, no entanto, ainda terá de passar por uma audiência de instrução antes de a Justiça decidir se ele também deverá ir a júri popular.

Julgamento

“O [júri] do Adriano já está marcado”, falou o promotor Neudival Mascarenhas ao G1, que também explicou a situação de Gilberto. “Ele é réu, mas vai ter instrução ainda.”

O julgamento de Adriano está marcado para começar às 13h no plenário 5 da 1ª Vara do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. Em caso de condenação, a pena para o crime de homicídio pode chegar a 30 anos de prisão.

Segundo a Promotoria, Gilberto e Adriano são os homens que aparecem em um vídeo gravado por câmera de segurança (veja acima) no dia em que Guilherme foi visto pela última vez no bairro Vila Clara, em Americanópolis, Zona Sul da capital.

Horas depois, o adolescente foi encontrado morto em Diadema. O corpo dele tinha dois tiros na cabeça e marcas de espancamento.

De acordo com a acusação, o ex-PM e o sargento faziam segurança para uma empresa próxima à casa de Guilherme, quando o confundiram com ladrões que tinham invadido o local para roubar carregadores de celulares. Em seguida, segundo a Polícia Civil, Gilberto e Adriano participaram da execução do adolescente. A vítima não tinha passagens criminais anteriores.

Segundo a Polícia Civil, o ex-PM é investigado por outras 49 mortes. Há a suspeita de que Gilberto tenha participado de 29 assassinatos no Campo Limpo e de outros 20 no Capão Redondo, entre 2012 e 2013.

Gilberto já era procurado pela Justiça antes mesmo da morte de Guilherme. Condenado por assassinatos e chacinas na Grande São Paulo, o então PM estava foragido desde 2015 do Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital, onde pulou o muro junto com outro ex-policial que estava preso por homicídio.

Ele atuava no 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Zona Sul. Depois que foi expulso da corporação e fugiu, Gilberto passou a trabalhar para o sargento Adriano, que é dono de uma empresa de segurança.

“Um dos casos mais graves de violência policial já ocorrido nos últimos anos em São Paulo e que expõe a relação perigosa entre membros da PM e as empresas de segurança privada. Assim como a existência de verdadeiros milicianos e exterminadores ligados à instituição”, afirmou o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em políticas de direitos humanos e segurança pública pela PUC- SP e membro do Grupo Tortura Nunca Mais.

O G1 não conseguiu localizar as defesas dos dois réus para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.

Fonte: 20 - Por Kleber Tomaz, G1 SP — São Paulo

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