Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017 - 15:13 (Colaboradores)

L
LIVRE

DESNORTEADO - Por Max Diniz Cruzeiro

A pessoa desnorteada perde no referente o referencial, fica deslocada em termos de ação e não consegue orientação dentro da sua rotina existencial.

Desnorteado é uma sensação de uma pessoa que perdeu o rumo de sua orientação projetiva, no qual sofre um tipo de desamparo de localidade de não saber mais se situar em um espaço físico porque é incapaz de encontrar um alicerceobjeto em que se amparar.

A pessoa desnorteada perde no referente o referencial, fica deslocada em termos de ação e não consegue orientação dentro da sua rotina existencial.

É uma sensação de falta de apoio, por isto se sugere uma espécie de desamparo, em que o fenômeno de localidade faz perder o indivíduo, a localização de um objeto.

O objeto pode ser um ente subjetivo, outro ser, outro indivíduo, um elemento do ambiente e até mesmo alguma impressão abstrata.

Suponha o caso de uma pessoa que tenha esquecido as chaves do carro em algum lugar ignorado, a sua sensação de desnorteamento não faz interligar onde se situa o objeto porque o contexto é ignorado.

Esse contexto que não se sabe ao certo a localização de um objeto causa a sensação de perda, onde o objeto passa a não ser mais localizado. A sensação: o desnorteamento é uma sensação de confusão psicológica onde o referencial não é percebido e o referente portanto não é localizável.

Então essa perda pode ter uma consequência transitória ou ser irreparável quando a perda não é possível de localizar o objeto.

O termo desnorteado segue um sentido de bússola, de algo que foi desprovido de ser encontrado no norte, no rumo certo, em que a coisa se orientava através de uma coordenada exata.

A quebra de uma lógica também pode provocar desnorteamento uma vez que a base não mais localiza os elementos necessários para se formar um diálogo.

Então há que se pensar em um sistema neural que é guia para a localização de um objeto dentro de um contexto, que parte de um assessoramento dos sentidos do corpo humano como apropriação de um senso de localização, provavelmente coclear em que é possível dar um sentido ambiental para um objeto projetado e localizado no contexto.

Quando uma falha neste sistema faz o observador perder o norte (desnorteado), então a falta de referenciais de localização gera um tipo de confusão espaçoambiental no qual o objeto passa a não ter mais parâmetros associativos para ser localizável.

Talvez se coordene em termos do sentido do labirinto que se fusiona em manter o corpo ereto em direção de 90º sobre o eixo gravitacional e atmosférico do planeta. Em que coordenadas são lançadas e registradas na mente através da percepção, que gera uma sensação de localização onde os objetos encontrados no espaço-tempo podem ser localizáveis como entes pertencentes ao contexto onde se situa o indivíduo em atuação.

Então existe uma posição somática registrada dentro do cérebro humano, no qual permuta informações com o córtex parietal e também com o cerebelo. E que está integrado com a formação do objeto nos outros tratos e córtex cerebrais onde esse objeto está registrado conforme a natureza de suas impressões.

Quando algum elo desta complexa cadeia de informações transaciona informações incorretas para outras áreas ou regiões cerebrais então pode ocorrer que a coordenada de localização temporal de um objeto não permita que ele possa ser encontrado dentro da zona de registro onde a informação primária foi registrada pelo procedimento mais corrente de registro.

A sensação de desamparo e confusão mental se projeta como uma incógnita de saber qual foi o vínculo ou a relação de arquivamento perdida que impede que o indivíduo capte a recordação de onde posicionou um objeto pela última vez que manteve contato físico.

O desnorteamento pode ocorrer também em relação a lembranças, quando se perde fatos registrados há muito tempo na mente. Por obstruções ou simplesmente por desuso que permitiu que as conexões fossem desfeitas com o passar do tempo.

Também, o desnorteamento pode surgir a partir de fato não registrado, como por exemplo, alguém que tira determinado elemento de uma cena, sem que o indivíduo atuante tenha noção do que aconteceu. Razão de que nada poderá compensar a sua lembrança ativada pela percepção gravada de um objeto numa fração de memória.

O desnorteado perde temporariamente sua homeostase cerebral, a fim de orientar os seus pensamentos para que a memória de todo o processo passado recorra em seus arquivos mentais. O desnorteado dentro deste processo tenta encontrar o seu rumo de memória, para fazer uso de suas informações e conteúdos mnêmicos.

Pode ocorrer conforme a escala de importância do objeto perdido em relação ao seu norte, uma ativação do sistema simpático a fim de ativar com pulsão (energia vital para processamento de informações) os elementos que farão com que a memória acelere a fim de que uma solução seja encontrada para a resolução do problema em que o conflito fora instalado na mente de uma pessoa.

A magnitude com que as sensações e os pensamentos afloram na mente de um desnorteado poderá deslocar o eixo de suas ações para a borda de seu conflito, induzindo-o a inquietação da mente, ou quem sabe ao trauma da perda, neste último caso quando um ente querido deixa de estar presente no ambiente e a sensação de desamparo passa a afetá-lo vigorosamente.

O desnorteado vaga em torno da solução enquanto não pacifica sua mente, porque tem por hábito não se prender a nada que não seja absolutamente a falta do objeto que se supõe ignorado (não encontrado).

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

Link: http://www.newsrondonia.com.br/noticias/desnorteado+por+max+diniz+cruzeiro/99516

News Rondônia