QUILOMBO DO PIOLHO, RESISTÊNCIA AFRO NO VALE DO GUAPORÉ - News Rondônia Esta é uma homenagem à Teresa de Benguela, mas também às Marias, Tia Felicidade, Mariana Crioula, Zeferina e muitas outras quilombolas que lutaram heroicamente pela libertação do povo negro.

Porto Velho,

Segunda-Feira , 25 de Março de 2013 - 09:16 - Cultura


 


QUILOMBO DO PIOLHO, RESISTÊNCIA AFRO NO VALE DO GUAPORÉ

Esta é uma homenagem à Teresa de Benguela, mas também às Marias, Tia Felicidade, Mariana Crioula, Zeferina e muitas outras quilombolas que lutaram heroicamente pela libertação do povo negro.

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O Quilombo do Piolho era constituído por africanos e crioulos, índios e caborés, fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso, onde eram escravos. O reduto abrigava uma população de quase trezentas pessoas governadas por José Piolho, substituído, após a sua morte, por sua mulher Tereza, intitulada de Rainha Viúva.

Esta é uma homenagem à Teresa de Benguela, mas também às Marias, Tia Felicidade, Mariana Crioula, Zeferina e muitas outras quilombolas que lutaram heroicamente pela libertação do povo negro.

Teresa de Benguela, líder do quilombo do Quariteré em Vila Bela da Santíssima Trindade era, como a própria identificação dela, pelos portugueses, uma africana de Angola, embarcada no porto de Benguela. O que aponta para a região em que vivia, antes da escravização.

No período colonial e pós-colonial no Brasil, os quilombos, espaços de resistência de homens e mulheres negros, reuniam milhares de habitantes, dentre eles negros/as, indígenas e brancos pobres. Estes habitantes eram denominados de quilombolas ou mocambeiros. Estes termos aparecem na documentação desde o século XVI.

O quilombo mais conhecido entre nós é o de Palmares, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas. Este quilombo é considerado por muitos especialistas um “estado africano no Brasil”, por outros é considerado a “República de Palmares” devido sua extensão territorial. Seu líder Zumbi dos Palmares foi decapitado, no entanto a historiografia não sabe precisar ao certo como se deu sua morte.

O que sabemos é que Zumbi faleceu no dia 20 de novembro de 1695. Por isso, o dia da Consciência Negra é comemorado nesta data, com a finalidade de homenagear toda a população negra que lutou bravamente pela libertação do açoite, que liderou levantes em busca da liberdade e que construiu o patrimônio social e cultural brasileiro.

As atividades dos Quilombolas se resumiam em caçar, pescar, derrubar mato, fazer roça, plantar e colher, criar aves, fabricar aves, produzir mel e guerrear com os índios cabixis, por causa de lhes roubarem as mulheres.

O Governo Souza Coutinho, pressionado pela corte, exigia dos mineradores o aumento de produção, esta decaia por falta de braços para o trabalho. Os escravos africanos importados de São Paulo, São Vicente e do Rio de Janeiro, reduziam-se mortos pelas endemias, fugindo para as malocas de Chiquitos e Missões Espanholas ou sumindo simplesmente sem deixar vestígios.

O problema da falta de braçais se agravava, então em reunião promovida pelos proprietários de minerações e o Governador, ficou deliberado a organização de uma Bandeira para capturar os escravos fugitivos. As despesas seriam divididas entre os mineradores, o Senado da Câmara e o Governador. O comando da Bandeira foi dado ao Sargento-MOR João Leme do Prado, que escolheu como itinerário, as cabeceiras dois rios Galerinhas, Galera, Taquara, Piolhinho e Pedra, para alcançar o quilombo, tendo por guia um escravo aprisionado que, sob tortura, informara a existência do mesmo. A Bandeira era composta de mais de trinta homens. Cautelosa, deslocando-se vagarosamente, procurando pistas e sinais dos fugitivos, passou um mês para atingir as cercarias do quilombo. Aproximaram-se ao anoitecer, organizando-se em formação de leque, até cercar completamente o povoado, passaram a noite em suas posições, executando o assalto ao amanhecer, surpreendendo totalmente os seus habitantes, que apenas esboçam uma mínima reação, sendo mortos, feridos e aprisionados.

Os homens foram concentrados em baixo de uma árvore, sob a mira dos bacamartes, os mortos enterrados, os feridos medicados e as mulheres possuídas pelos sertanistas, como recompensa e presa de guerra. A rainha Teresa de Benguela, após alguns dias, morria de inanição, pois indignada, deixou de se alimentar, ante os vexames, humilhações e desrespeito que fora submetida.

A Bandeira, após averiguar as redondezas em busca de ouro, regressou a Vila Bela, onde entrou triunfalmente, sendo recebida pelo Governador, altas autoridades e senhores e proprietários de minas. Após a cerimônia de tortura dos prisioneiros no pelourinho, o corte de uma das orelhas e marcações da letra “F”, na espádua, com ferro em brasa, os escravos foram entregues aos seus donos e à noite houve baile de gala nos salões do Palácio dos Capitães Generais, em regozijo pela vitória alcançada. Era o ano de 1770. O exemplo do bárbaro espetáculo não surtiu o efeito esperado, os escravos continuaram a fugir e novos quilombos foram organizados, entre os quais destacaram-se os Mutuca.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte: Aleks Palitot

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