Domingo, 19 de Novembro de 2017 - 17:35 (Geral)

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PODER PÚBLICO APÁTICO, DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA PODE PASSAR EM BRANCAS NUVENS EM PORTO VELHO

A denúncia é da acadêmica quintoanista de Serviço Social, Francisca da Silva, 56 anos, pra quem o dia alusivo à Nação Negra Brasileira merece mais respeito, por parte do chefe do executivo municipal.


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Porto Velho, Rondônia – Se mal comparada à cidade de Palmares, em Alagoas, onde são feitas belíssimas homenagens em cultos, palestras nas escolas, musicais ao ar livre e em terreiros da Umbanda pro Dia da Consciência Negra, a data, nesta segunda-feira (20), poderá passar em brancas nuvens, se depender das autoridades.

Na sexta 18, no espaço externo do Mercado Cultural (também chamado de Espaço Cultural Manelão), as exibições de jovens capoeristas, cortejos e cordões apensos na história do Brasil Negro, ficaram marcados no público como ‘uma profunda insensibilidade atribuída ao poder público, a quem tanto contribuiu à formação do povo nato do Brasil’.

A denúncia é da acadêmica quintoanista de Serviço Social, Francisca da Silva, 56 anos, pra quem o dia alusivo à Nação Negra Brasileira merece mais respeito, por parte do chefe do executivo municipal.

- Nem só por isso, ele e seus secertários, em nome da Cultura, Educação e do Turismo, faria um pouco mais, que não só ceder espaços, como também, promover a adversidade das raças do lado cosmopolita que é Porto Velho, reiterou Francisca.

A grade da programação pelo Dia da Consciência Negra, bastante ampla nos governos anteriores, que atingia desde as escolas, espaços públicos diferenciados, poderá ser restrita a ambientes fechados, se quexa um importante ícone da cultura negra da periferia Leste desta Capital.

A maioria do público que compareceu no sábado 18 ao hall externo do Mercado Cultural – ainda em tímida recuperação do telhado – desabafou:

No local, este jornal eletronico pode anotar, desde o dia 15, data alusiva ao Dia Mundial da Umbanda e da Proclamação da República, que, ‘a cada dia a cidade é descaracterizada em todos os seus aspectos sociais e culturais’.

Um turista paraense, durante paradinha nas barracas para degustar o tacacá nativo, na quarta-feira (15), saiu com esse petardo: ‘Como nos sentirmos seguros, se ao fundo do Museu da Memória, logo ali em cima, colônia de viciados em drogas, assusta todo mundo?’, indagou.

No Dia da Consciência Negra, comemorado em todo o mundo nesta segunda 20, a cidade deveria amanhecer acordada sob o som estrondoso das ‘trombetas’ anunciando a rica gastronomia e literatura Brasil-africana, além dos valores em música, dança, teatro, exposições, palestras, oficinas de arte, work-shopp, feiras de livros, apresentação de vídeo-documentários ao menos nas escolas da rede pública – mesmo sem registros de quilombos ou ex-sensalas na parte alta de Porto Velho.

Afora a suposta programação no âmbito da Fundação Cultura e da secretaria de Educação (SEMED), ainda não anunciada, ‘as comemorações deve ficar restritas, como no sábado 18, apenas à exibição de grupos capoeiras ou por rituais nos terreiros de Umbanda em suas comunidades, lamentou Francisca da Silva.

UM POUCO DA HISTÓRIA NELES - Uma segunda Angola nasceu no Brasil desde os tempos da escravidão. Primeiro explorados, mais tarde em busca de refúgio e de uma nova vida, os angolanos comemoram no dia 20 de novembro duas datas importantes para a comunidade afro-brasileira: o Dia da Consciência Negra e os 35 anos da independência de Angola.

O Brasil foi o primeiro a reconhecer a independência do país africano, precisamente à meia-noite do dia 11 de novembro de 1975. O processo foi um dos mais demorados da África e foi seguido por uma guerra civil, intercalada por alguns momentos de trégua. 

Com a estabilidade política conquistada nos últimos anos, Angola passou a crescer a taxas chinesas, com uma média de 15% ao ano (antes da crise econômica de 2008), graças, principalmente à disparada do preço do petróleo - o principal produto de exportação do país.

A impressionante recuperação, porém, aconteceu tarde demais para angolanos como o músico Abel Duerë e o empresário Mateus Vicente da Costa. Ambos vieram para o Brasil deixando uma triste perspectiva de guerra e hoje não pensam em voltar.

Os três principais partidos políticos de Angola mantiveram um conflito armado que só terminou 27 anos depois da independência, em 2002, com a morte de 1,5 milhão de angolanos. Às vésperas da independência, em 1974, Duerë viu sua família se dispersar pelo mundo. E ele, adolescente, foi parar primeiramente em Portugal e depois no Brasil, onde vive há 30 anos. 

- Saí porque a opção da guerra não me interessava, mas também porque queria continuar minha militância por Angola em um lugar onde não fosse reprimido, ou corresse risco de morrer.

Com o fim da guerra, agora o objetivo de Duerë é mostrar as semelhanças de Brasil e Angola através da música e da arte. Seu novo disco, 
Meu Semba, Teu Samba, destrincha a mistura de ritmos que originaram o brasileiríssimo samba a partir do semba, trazido de Angola pelos escravos.

 

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Fonte: NewsRondônia

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