Segunda-Feira, 17 de Julho de 2017 - 10:46 (Colaboradores)

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O REFLEXO APRENDIDO: CONDICIONAMENTO PAVLOVIANO - Por Max Diniz Cruzeiro

Reflexos são elementos preparatórios para um primeiro contato de um indivíduo com o ambiente cujo aprendizado condiciona os indivíduos de uma espécie a reação inteligente, voluntária e consciente, a partir das inúmeras vivências que se somam no rol em que as experimentações são vinculadas aos processos mnêmicos, para contribuir e aumentar as chances de sobrevivência.


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Ao longo da história filogenética de uma espécie o comportamento humano é moldado segundo características correlacionadas e que influenciam com a capacidade de aprender novos reflexos. Reflexos são elementos preparatórios para um primeiro contato de um indivíduo com o ambiente cujo aprendizado condiciona os indivíduos de uma espécie a reação inteligente, voluntária e consciente, a partir das inúmeras vivências que se somam no rol em que as experimentações são vinculadas aos processos mnêmicos, para contribuir e aumentar as chances de sobrevivência. Bem como gerar uma contribuição para a reação diferenciada para diferentes estímulos possibilitando adaptações constantes quando o ambiente adquire nova fase em seu equilíbrio, onde parte do aprendizado se incorpora ao organismo da espécie, e passa a servir de referencial para inibir ou excitar comportamentos dos novos indivíduos que nascem em um nicho específico.

Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros afirmam que os reflexos inatos retêm como ensinamento alguns tipos de respostas do biológico a condicionantes ambientais. A mudança do ambiente provoca a necessidade de adaptação, neste sentido.

No Condicionamento Pavloviano a capacidade de aprendizado de um indivíduo de determinada espécie sofre influência do processo de adaptação, no sentido que na ausência de uma ativação de um aprendizado que se incorpora a espécie por meio de um evento evolutivo, nos moldes descritos de Charles Darwin, pode ser desabilitado, porque a característica impregnada não é mais necessária para gerar uma ou mais correspondências ambientais. Da mesma forma que este processo de aprendizado é capaz de desativar o funcionamento de certos aprendizados, é capaz de elevar um conteúdo que mereça ser indexado à espécie por meio do estímulo excessivo, ou de esforço, que condiciona o biológico de uma espécie a progressão dentro da característica. Como definição, é uma situação-problema em que um estímulo neutro ativado previamente e emparelhado com um estímulo incondicionado gera uma elicia de resposta reflexa.

É importante notar que por mais que seja atrativo este tipo de proposição teórica de base Darwinista, não é aconselhável migrar estes conteúdos para áreas em que os atributos de evolução estejam atrelados ao comportamento humano, porque condicionaria as sociedades humanas a criação de políticas de segregação e processos de seleção natural (restrições em que a teoria evolutiva de Charles Darwin deverá ser aplicada com ressalvas: Direito, Administração, Empreendedorismo, algumas áreas da Medicina, algumas aplicações da Farmacologia).

O Condicionamento Pavloviano foi criado pelo russo Ivan Petrovich Pavlov que viveu de 1849 a 1936 Fisiologista e Médico concentrando seus estudos laboratoriais iniciais sobre o reflexo salivar, onde cães eram posicionados em frente ao alimento para medir a quantidade de saliva produzida sob o efeito da elição do animal (evocação e extração de conteúdo mnêmico) pela visualização e olfação da comida em que os aspectos quantitativos e qualitativos do alimento foram levados em consideração. Durante o experimento foi observado que o processo de salivação dos animais também era desencadeado pela percepção do cão, da aproximação dos cientistas com o recipiente onde estava o alimento. Isto tornou o experimento uma relação de grande complexidade pois o estudo não estava apenas condicionado ao reflexo gustativo e olfativo, a visão também tinha um fator interativo que não podia ser desconsiderado, como também a audição dos cães com a percepção das pegadas de aproximação do alimento passaram a ser elementos importantes para a análise.

O processo que paira sobre o Condicionamento Pavloviano estabelece que o vínculo do indivíduo de uma espécie com a fonte ambiental não é suficiente para o aprendizado do reflexo, há necessidade que a repetição, ou seja, o condicionamento da atividade, permita que o indivíduo correlacione internamente, por vias associativas, dois ou mais caracteres psicofísicos para integrar em uma resposta (elicicada) que indique para a estrutura cerebral conexões orientadas no sistema nervoso central que canalizem o aprendizado como um processamento-resposta para sanar a exigência ou demanda do meio, toda vez que o estímulo é encaminhado pelas vias aferentes no sentido da atingir as regiões mnêmicas a fim de provocar a somatização percentual que mais se ajusta ao nível de resposta exigido para a experiência vivida pelo organismo vivo.

É possível determinar processos em que o Condicionamento Pavloviano pode ser organizado para melhor compreensão. Como também, organizar uma métrica temporal em que o condicionamento pode ser observado: as respostas que são observadas antes do condicionamento (não elicia); as respostas que são produzidas durante o condicionamento (estímulo incondicionado – reflexo incondicionado); e, as respostas conduzidas após o condicionamento (estímulo condicionado – resposta condicionada – reflexo condicionado – estímulo elicia resposta). Durante as três etapas temporais ocorre uma transformação em que a função do condicionamento é ativada pelo processo de elicia, para que o conteúdo registrado e arquivado pelo processo de aprendizagem possa ser acessado e utilizado como um conteúdo de resposta.

Um estímulo pode ser neutro em relação a um determinado conteúdo, e servir de regra associativa por meio da elicia para outro tipo de resposta. A regra que se estabelece para o condicionamento é que desperta os elementos psicofísicos (paradigma do condicionamento respondente), que uma vez ativo, por intermédio da elisão desperta o comportamento sintetizado pelo processo de aprendizagem.

Moreira e Medeiros afirmam:

Se os organismos podem aprender novos reflexos, podem também aprender a sentir emoções (respostas emocionais) que não estão presentes em seu repertório comportamental quando nascem.

Os reflexos inatos contribuem como ferramentas para inicialização de processos após o nascimento, e destes fazem com que os reflexos, que surgem do contato ambiental, passem a ativar condicionamentos sucessivos em torno da relação de um indivíduo e o aprendizado que se incorpora gradativamente da experimentação e experiência da vivência deste indivíduo.

O emparelhamento de alguns estímulos condicionados pode gerar por intermédio da elicia (evocação, aquisição e extração) o contato com a emoção que irá reproduzir o ensinamento de incorporação e ativação da resposta como necessária para a sobrevivência.

Estímulos de mesma classe ou categoria, uma vez que um conteúdo foi elicicado, pode converter em uma ativação do elemento primário que sofreu processo de condicionamento respondente (Generalização Respondente). Isto se explica a partir das semelhanças do fenômeno originário que resultou no processo de elição, com outras situações conexas ou parecidas que estiverem presentes no ambiente ao ativarem o estímulo condicionado a afetação na reprodução da resposta. Estimulo elicia resposta.

Moreira e Medeiros trouxe à tona em seu livro Princípios Básicos da Análise do Comportamento que a variação na magnitude da resposta em função das semelhanças entre os estímulos gera um conceito chamado de gradiente de generalização respondente. Quanto mais fraca for a parentologia do objeto com o elemento da elicia proporcionalmente será mais fraca a resposta observada de um conteúdo emocional para a maioria dos casos observados.

As respostas emocionais condicionadas comuns podem ser empilhadas em torno de estruturas conceituais na forma de uma coleção ou classe de atributos e características que servem de fatores atrativos, entre espécies distintas de elicias diferentes, em que as respostas passam a ser orientadas pela lei de atração que regula a classe emocional, aproximando ou repelindo as situações-estímulos que o gradiente de generalização respondente sinalizar como nível de resposta requerido para a correspondência ambiental. Assim, o indivíduo passará a ser atraído por conteúdos que o aproximam do conceito que estiver ativo como referente de um conteúdo mnêmico, como por exemplo Medo.

A extinção respondente, ou seja, a desativação do estímulo condicionado ocorre quando os estímulos associados que geram a condição de resposta pela elicia, passam a aparecer no ambiente sem a junção associativa (ativação seletiva; disjunção), inibindo a correspondência dos elementos conjuntos a ela associada. Um exemplo teórico é um indivíduo habituado a promover seus estudos apenas com um estilo de música através de seu fone de ouvido, e passar a se sentir motivado pela prática do estudo devido a influência que a melodia desperta em sua psique a sensação de prazer. E em um dado momento, este indivíduo necessita continuar seus estudos, com a ausência do aparelho, em que a manutenção do prazer não é percebida, porque o vínculo associativo não é mais ativado. Em vez disto o estímulo respondente é extinto (a associação conjunta é desfeita), e como resultado o indivíduo passa a se condicionar a um outro tipo de vínculo associativo em que novo parentesco de estímulo irá aproveitar o condicionamento, a partir da elicia primária, que irá contribuir para a recuperação do eixo motivacional que devolverá a sensação de prazer em se realizar continuamente os estudos, sem o aparelho de som (descatequizado).

Na recuperação espontânea o indivíduo que tiver gerado uma situação de extinção respondente poderá catequizar novamente o instanciamento psíquico que resgata a impressão de condicionamento, pelo processo da lembrança, fazendo que a experiência passada resgate o conteúdo mnêmico antes desativado, caso ainda persistam os traços neurais que formam o circuito lógico para a formação da resposta.

Moreira e Medeiros ativa dois conceitos na consciência do leitor: de contracondicionamento, e, dessensibilização sistêmica; o primeiro implica no condicionamento contrário a resposta condicionada para anular o estímulo condicionado (para que o indivíduo abandone o estímulo angustiante e opte por uma variação de condicionamento que maximize o prazer); o segundo, é uma medida de sensibilização para ativar os mecanismos emocionais com base na generalização correspondente, em que os elementos escolhidos possuem relativa influência sobre a resposta, e gradativamente, por meio de processos de extinção, o psicólogo aproxima o paciente do conteúdo que ativa maior canalização de angústia ou sofrimento, a fim de efetuar o tratamento por etapas, à medida que o paciente se sente confiante em lidar com a situação-conflito e a força das conexões passa a perder seu valor (Controle da Magnitude da Resposta. Ex. Medo).

Um condicionamento de ordem superior é um emparelhamento de estímulos antes não combinados, em que já exista um condicionamento do estímulo que resulta numa junção de propriedades no qual indexa os novos estímulos a uma elição já preexistente. Torna-se um processo de empréstimo, de condicionamento de segunda ordem, onde os atributos do conteúdo antes não condicionado, passam por um processo de geração de uma metáfora, que resgata a essencialidade do estímulo que fora incluído no modelo de elicia da resposta pré-existente. Se outro estímulo neutro é aplicado sobre a nova junção, o tipo de condicionamento muda sua ordem superior para o terceiro grau, e assim sucessivamente, ganhando robustez no processamento e identidade da informação. Observo este efeito dentro da teoria dos Engramas, concebidos num tipo de organização conceitual onde os atributos, valoração e características das informações mnêmicas são condicionadas provisoriamente e temporariamente ao empréstimo da aquisição do instanciamento biológico, ao qual pode ser utilizado para compor novos elementos associativos conforme a necessidade funcional do condicionamento do estímulo de acordo com um conteúdo lógico que irá definir a sua lógica de atuação e apropriação e a ordem associativa das aquisições.

Moreira e Medeiros definem características que devem ser observadas que contribuem para o nível de resposta condicionada: a frequência dos emparelhamentos (quanto maior a frequência mais forte é a resposta condicionada), o tipo de emparelhamento (o surgimento do estímulo condicionado antes do estímulo condicionado apresenta respostas mais fortes), a intensidade do estímulo incondicionado (um estímulo incondicionado forte estimula condicionalmente de respostas mais rápidas) e o grau de pred

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro

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