Domingo, 18 de Junho de 2017 - 20:32 (Colaboradores)

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O QUE ENSINAM AS ESTRELAS?

E se um extraterrestre olhasse para a Terra? Que tipo de luz ele veria? Na certa, seriam as luzes aglomeradas dos grandes centros urbanos do mundo, onde jovens vivem suas vidas boêmias e estendem seus celulares ao céu não para fotografarem as estrelas, mas para registros de suas pacatas rotinas.


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Com que frequência você olha para as estrelas? Sendo sim ou não, saiba que quando olhamos para elas na verdade estamos olhando para o passado de cada uma. Isso se dá porque a luz de uma estrela demora milhares de anos para chegar a Terra.

E se um extraterrestre olhasse para a Terra? Que tipo de luz ele veria? Na certa, seriam as luzes aglomeradas dos grandes centros urbanos do mundo, onde jovens vivem suas vidas boêmias e estendem seus celulares ao céu não para fotografarem as estrelas, mas para registros de suas pacatas rotinas.

Os flashes das selfies se tornaram as únicas luzes capazes de levar essa geração ao estrelato, com uma necessidade intensa de compartilhar suas felicidades, frustrações e curiosidades. Mas, estrelas também morrem e assim como algumas delas, essa geração parece estar morta. Podemos olhar uma luz intensa que já não reflete a sua existência, uma misericórdia e um esforço de continuar brilhando mesmo após a Super Nova (o estágio final em que uma estrela explode de forma muito brilhante, desaparecendo lentamente).

De igual forma, ainda podemos acompanhar os últimos suspiros de algumas estrelas da Geração Z, jovens que deixam resplandecer o passado em si, uma época que não volta mais. É possível ver isso no apego ferrenho que ainda temos a velhos estereótipos sexuais, raciais, religiosos, políticos, sociais. Parece que não conseguimos aceitar que o passado não volta, que mais forte que a nostalgia de uma era é o esforço empregado num processo de tornar a sociedade o que um dia ela foi: enrustida, amedrontada, intolerante e insegura.

Em uma modernidade líquida não conseguimos encontrar significado para a vida, talvez porque o próprio sentido de viver esteja sendo constantemente mudado. Não conseguimos, em meio a toda essa globalização, encontrar uma forma de se destacar, de mostrar nossas potencialidades, particularidades e aptidões, por isso, nos apegamos a velhas identidades que já não são mais aceitas em uma sociedade que muitos taxam de “banal”.

Para o filósofo e recém estrela morta, Zygmunt Bauman, a busca por uma identidade vem do desejo de segurança, um desejo de pertencimento a um grupo, perante um mundo de alta velocidade cuja aceleração é fruto de nossos anseios. Desejamos coisas que não estão reservadas a nós e que, logo, podem nunca chegar. E que bom que nem tudo é para nós!

Se prender a uma identidade é um tanto perigoso, tendo em vista, que temos grande dificuldade em adivinhar o que vai acontecer conosco nos anos posteriores, porque já não traçamos o projeto de uma vida inteira. Vivemos em uma série, um episódio de cada vez. Então, que criemos nossa própria identidade para não vivermos de heranças, pois elas acabam. As coisas saem de moda e já há uma longa lista de identidades já vencidas, de estrelas mortas.

Portanto, prefiro acreditar que as luzes verdadeiras que emanam de nossa geração são as luzes dos bares onde dançamos e jogamos conversa fora. São as luzes das estradas que junto a brisa faz sentir-nos invencíveis em dias de rolê. São as luzes de abajures que para muitos é a única companhia em dias de bad. São as luzes que moldam a sombra da pessoa amada. São as luzes que emanam da TV noticiando fatos que irão reger nossas vidas. E a bendita luz que todos mandam afastar-nos quando a morte chegar. Na vida não há estrelas que brilhem mais que outras, só há uma intensidade exata para aquele momento da história. Só há estrelas de diferentes épocas.

PH Bentes - Acadêmico de Jornalismo

Fonte: PH Bentes

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