Segunda-Feira, 17 de Julho de 2017 - 10:58 (Geral)

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INSULTO - Por Max Diniz Cruzeiro

O insulto tem como base uma mágoa, angústia, necessidade de querência, inconformismo, não aceitação, negação da realidade, ou outro aspecto que tenha invadido a área exclusiva de um indivíduo.


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Insulto é uma verbalização expositiva de um conflito desferida para outra pessoa com o intuito de provocar uma reação destrutiva sobre a mesma. Como se o indivíduo ofensor organizasse uma comunicação da necessidade de desfazer da influência interna que o sujeito agredido deslocou sobre a área de entendimento exclusivo da pessoa ofendida.

O insulto tem como base uma mágoa, angústia, necessidade de querência, inconformismo, não aceitação, negação da realidade, ou outro aspecto que tenha invadido a área exclusiva de um indivíduo.

A verbalização é uma válvula de escape onde o indivíduo encontra esta forma como meio para representar a sua aflição, que é desencadeada para o ambiente na forma de insulto, ou seja, manifestação de desacordo com a realidade ambiental.

O insulto é uma das formas não racionais que as pessoas encontraram para separar definitivamente um ato relacional, ou de comunicação permanente.

Ele gera uma exigência sobre a pessoa agredida de promover o rompimento da relação, por não suportar o peso ou a carga da afetação relacional que é desencadeada para o ambiente.

O insulto gera segmentação, e deslocamento das relações de alta, média e baixa estima. Gera uma progressão no sentido de resolução do conflito através de sistemas de apartheid. E corte das relações de empatia, compaixão, comunhão e solidariedade.

A saída da zona de intersecção do comportamento se rompe, o efeito direto é o distanciamento e acúmulo de elementos destrutivos que se somatizados passam a interferir internamente nos indivíduos que se sentem ofendidos dentro deste contexto de exclusão comportamental do ato relacional.

A zona exclusiva de um indivíduo, é a parte de uma pessoa, em termos de estrutura cerebral em que a influência externa é amplamente inibida por nada que se esteja integrado ou ancorado ao esquema estrutural psicológico de uma pessoa. E que os entes externos são lentamente indexados dentro desta zona.

Quando esta zona exclusiva recebe uma descarga e somatiza uma reação contrária a sua necessidade, desejo, prazer, libido ou volição; é suficiente para afetar a homeostase cerebral, dando vazão, como válvula de escape na ação em que o insulto é encaminhado para a expressividade de um indivíduo.

É um evento reativo que pode estar ancorado ou projetado sob várias sustentações, e não necessariamente sintetizar um movimento de expulsão relacional, como pode também sintetizar uma tentativa de enquadramento para dizer a outro indivíduo o grau de correspondência exigido para que o laço continue dentro de um contrato de permuta de sinergia ambiental.

O insulto tem a propriedade de criar correligionários e adversários, os primeiros para as pessoas em fase de concordância com os atributos levantados pelo agressor ou agredido; o segundo atribuído como uma identidade que pretenda perseguir o pensamento que se cristaliza de forma antagônica ao entendimento.

O insulto é uma componente desviada do eixo racional carregada de emotividade. No qual se tenta convencer a pessoa agredida que seu comportamento não condiz com a exigência para fixação do relacionamento.

Neste contexto, o relacionamento, é qualquer par que haja permuta de comunicação, e não no sentido de laço matrimonial. É um laço que se forma em um gerenciamento de uma informação que duas ou mais pessoas dependa do mecanismo de permuta de informações para gerar entendimento, desenvolvimento e sinergia entre os seres.

Parte de um princípio de discordância, de um modelo de comportamento ou conduta que gere um efeito motivacional em gestar a sequência de informações que atingirá a estima do indivíduo alvo de uma ofensa.

O insulto gera instabilidade ambiental, e torna os vínculos entre pessoas mais duros e amargos, em que crises sociais podem ser verificadas no ambiente toda vez que uma discussão se despende de um argumento racional.

É uma das formas de se perder uma guerra, do ponto de vista que um indivíduo que perde a razão se desvia da frequência mais branda que o aproxima da resolução do conflito, e passa a se ancorar a partir de atributos de perseguição que o distanciam do real motivo de seu atrito, segurança e aflição na condução de uma reclamação que não é aderente ao seu estímulo de vida.

É a porta de entrada de muitas doenças, uma vez que um organismo ressentido deixa de corresponder as demandas ambientais e passa a produzir uma infinidade de substâncias tóxicas que corroboram para afetar ainda mais o organismo antes sadio.

É uma forma de satisfazer e convalidar uma verdade interna, como estrutura de autorrealce em que o indivíduo administra a si mesmo para sobressair em uma área que venha necessitar firmeza e enrijecimento das relações com outros indivíduos.

O insulto é o uso de um tipo de inteligência pouco mapeada, que serve com o propósito claro de inibir uma ação no qual o indivíduo agressor se observa no direito de exigir conexão.

Afeta o ambiente, uma vez que réplicas de sofrimento passam a se alastrar pelo ambiente com o processo de identificação que o agrupamento sofre com a proximidade de um conflito.

O sofrimento causado por um insulto pode levar dias, meses ou anos para ser esquecido, pois ele possui conexão direta com o reforço neural que está vinculado com a memória de longo prazo, e pode banir ou prejudicar um sujeito definitivamente, aprisionando-o em um padrão de culpa, ressentimento ou delírio que o impede de prosseguir sua vida dentro do nível de urgência ambiental.

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro

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