Quarta-Feira, 07 de Maio de 2014 - 07:20 (Colaboradores)

AS BARREIRAS À ENTRADA NO MERCADO E A ESCASSEZ ARTIFICIAL

Naturalmente, essa escassez imposta levou a situações de monopólio controladas de perto por intermediários, forçando os motoristas a trabalharem sob chefes caprichosos em péssimas condições.


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William Gillis

Há décadas as regulamentações de táxi têm sido excelentes exemplos de como a proteção do governo cria privilégios, rendimentos artificiais e estimula o trabalho assalariado. Além do grande conjunto de regulamentações que definem até a cor das meias dos motoristas, o sistema de “praças” limita dramaticamente o número de táxis nas grandes cidades, ao mesmo tempo que permite que as licenças sejam alugadas e vendidas (e os preços vão desde centenas de milhares de dólares e chegam a mais de um milhão em Nova York).

Naturalmente, essa escassez imposta levou a situações de monopólio controladas de perto por intermediários, forçando os motoristas a trabalharem sob chefes caprichosos em péssimas condições.

Hoje, finalmente, essas sérias e longas distorções estão prestes a serem dissolvidas. Contudo, um ponto interessante é que as barreiras não estão sendo quebradas pelos esforços incansáveis de organizadores populares, mas pelo poder de duas novas empresas capitalistas, Uber e Lyft, equipadas com seu próprio capital político e capazes de desafiar os monopólios de várias cidades americanas.

Uber e Lyft não são santas e, de várias maneiras, dependem de vários privilégios estatais. As reservas inimagináveis de dinheiro de investidores capitalistas, que os protegem de pressões comunitárias e de organizações trabalhistas, têm origem nos rendimentos artificiais extremos extraídos dos setores bancários e de propriedade intelectual, com lucros que não existiriam sem o braço armado do estado.

No entanto, são empresas que exploram lacunas nas legislações de táxi e abrem a profissão para motoristas independentes que não podem pagar as taxas exorbitantes da profissão. E esse é um ponto absolutamente positivo. Embora não haja garantias de que Uber e Lyft não irão tentar excluir os concorrentes no futuro para que eles possam explorar os consumidores e taxistas potenciais com a restrição das opções, suas ações abriram as portas para competidores em modelos mais descentralizados e cooperativos. A tendência está mudando.

Infelizmente, essa mudança não foi tão bem recebida entre os membros menos radicais da esquerda.

É compreensível que os taxistas que já haviam aplicado grandes investimentos dentro das regulamentações atuais fiquem assustados com qualquer iniciativa que possa abrir a profissão a novos competidores. A concorrência certamente empurrará os preços para baixo e, dentro da legislação presente, muitos motoristas mal conseguem pagar as taxas exorbitantes cobradas por despachantes e burocratas.

Contudo, as tentativas de defesa das regulamentações de táxi como se fossem necessárias para garantir o “profissionalismo” do setor são apenas a última manifestação de uma longa lista de ações executadas por sindicatos conservadores para lutar contra os outros trabalhadores e não contra os chefes ou contra o estado, como na pressão em favor de leis que proibiam imigrantes de assumir certos trabalhos por “preocupações com segurança”. Essa mentalidade incrivelmente míope de organização trabalhista sempre acaba prevalecendo e piora a situação da sociedade como um todo.

Em nome da proteção dos empregos existentes, os esquerdistas mais inocentes acabam protegendo o sistema de trabalho assalariado.

A solução radical é parar de depender dos chefes para nos prover nosso sustento; não devemos nos prender a eles cada vez mais e esperar por uma revolução que pode nunca chegar, mas sim gerar nossos próprios empregos.

Esse é o efeito perverso das “regulamentações” social-democratas: um cenário em que cabeleireiros podem tornar ilegal que outras pessoas façam trançado no cabelo de clientes sem uma licença caríssima.

Numa época de relatórios amplos de consumidores em aplicativos como o Yelp e de meios descentralizados de certificação, “Como regulamentar?” é um questionamento sem sentido. O que piora as condições de trabalho e de segurança são as oligarquias. As barreiras à entrada e a escassez artificial criada pelo governo não ajudam em nada a classe trabalhadora. E os esquerdistas que as defendem são incoerentes e reacionários.

Fonte: Erick Vasconcelos

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