Domingo, 22 de Outubro de 2017 - 09:24 (Colaboradores)

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A CORRUPÇÃO BOLIVIANA CONSEGUE SER AINDA PIOR DO QUE A DO BRASIL

PERGUNTINHA:Você que é rondoniense, concorda com a pesquisa que aponta Bolsonaro como líder nas intenções de votos e com Lula apenas no quarto lugar, ou acha que isso é apenas invenção e forçação de barra?


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Há um empecilho importante, que tem atrapalhado de maneira decisiva as negociações comerciais entre Rondônia e nossos vizinhos bolivianos. Claro que o assunto é tratado em voz baixa, nunca de forma oficial, claro que ninguém fala abertamente. Mas a verdade é explícita: a corrupção campeia em vários escalões, do lado de lá. Há certas questões registradas lá, que são piores (embora possa parecer impossível), da arraigada corrupção em vários escalões em quase tudo no lado brasileiro. Na Bolívia, ouve-se à boca pequena, tudo é feito para dificultar, até que corra algum “por fora”. Há um caso concreto, que bem resume a situação. Empresário local que pretende importar importante produto da Bolívia, extremamente necessário para nossa pecuária, teve que se associar com uma alta figura militar da administração do nosso vizinho. Caso contrário, não conseguiria sequer dar início às conversações. Mesmo assim, até agora os resultados foram pífios, porque a linguagem do “por fora”; do “jeitinho”, tão típica do brasileiro, foi copiada, com requintes de aprimoramento extremo, por parte dos negociadores vizinhos. Há outra exemplo claríssimo disso: camionetas, carros e motos roubadas no lado rondoniense e até em outros Estados, “aparecem” milagrosamente circulando no lado boliviano. E nas mãos de policiais, de autoridades de governo de vários escalões. Muitos desses veículos, trocados por drogas e armas, circulam sem placa no lado de lá da fronteira; outros já foram emplacados, enquanto o governo da Bolívia anuncia formas para “esquentar” o produto do roubo e tornar tudo legal. O termo usado para a sacanagem é “nacionalização” do produto que entrou ilegalmente naquele país.

Os exemplos são inúmeros. Não são dezenas, são centenas. Talvez alguns milhares. Há 15 anos, um rondoniense viveu na pele este drama. O jornalista Paulo Andreoli perdeu uma camioneta que recém comprara. Descobriu que os ladrões a levaram para a Bolívia. Entrou com ações na Justiça, inclusive alegando tratados do Mercosul e teve apoio da polícia rondoniense. Chegou a ir a Riberalta, numa audiência. Tanto ele quanto os policiais daqui foram expulsos de lá. O carro estava emplacado e nas mãos de alguma autoridade boliviana. Ou seja, a corrupção já vem de longo tempo e jamais foi  combatida. Não há, ao menos até agora, sinais de que algo vá mudar neste lamentável contexto.

UREIA VEM DO ORIENTE MÉDIO

Ainda sobre o assunto: a Bolívia pode comprar vários produtos rondonienses, para melhorar a qualidade da sua produção agrícola, mas também para alimentação, construção civil e outros setores. O calcário, por exemplo, que Rondônia tem em abundância, pode ajudar em muito a melhorar a qualidade do solo. Nesse sentido, aliás, já existem conversações, até pelo esforço pessoal do empresário rondoniense César Cassol. O que precisamos deles? Primeiro, a Bolívia tem sal em abundância e pode nos abastecer, até porque o que compramos hoje, tão necessário para a criação de gado, por exemplo, vem do Rio Grande do Norte. Poderíamos encurtar em milhares de quilômetros a viagem do sal. Eles também têm ureia, um fertilizante que hoje compramos dos países árabes. Isso mesmo: nossos fornecedores são, entre outros, o Egito e o Irã, que fica do outro lado do mundo. As possibilidades de negócios entre Rondônia e a Bolívia são imensas e trariam avanços e crescimento aos dois lados da fronteira. Mas, do jeito que as coisas andam, não se sabe quando o comércio bilateral poderá deslanchar.

BOLSONARO NA FRENTE?

Pesquisa dessas que sugerem que não se dê credibilidade significativa, aponta que Jair Bolsonaro seria, hoje, o preferido do eleitor rondoniense, na disputa pela Presidência da República em 2018. Coloca Ciro Gomes em segundo, Marina Silva em terceiro e Lula em quarto. Será mesmo? Só se a opinião da maioria do eleitorado rondoniense mudou muito, mesmo. Bolsonaro é novidade, então não tem como compará-lo ao passado. Mas Ciro Gomes e Marina Silva nunca tiveram um percentual significativo de apoio aqui no Estado. Lula sim, era, até há bem pouco tempo, muito bem cotado, embora nas atuais circunstâncias, se compreenda que ele possa ter andado ladeira abaixo. A verdade é que até agora não foi feita uma pesquisa daqueles com profundo grau de confiança para se dizer quem teria o aval do eleitorado de Rondônia, para a Presidência. Os nomes postos ainda são os mesmos. Não surgiu nenhum outro que pudesse balançar os corações e mentes dos brasileiros. João Dória chegou a ensaiar ser esse personagem, mas esse sonho não durou muito tempo. Enfim, aguardemos o desenrolar dos fatos, para vermos se serão apenas esses ou haverá outros nomes com chances reais. O que já se pode dizer, agora, é que Jair Bolsonaro, que representa a extrema direita, aparece como a grande novidade para 18. O Brasil merece?

NADA DE SE APOSENTAR

O caso se complica cada vez mais, para o PMDB. O governador Confúcio Moura, que antes dizia peremptoriamente que não seria candidato a nada em 2018, já não fala com tanta convicção. Ele continua dizendo que gostaria mesmo é de voltar para casa, conviver mais perto da família, dos netos, aproveitar para si e os seus, os anos que ainda lhe restam. Mas acaba deixando escapar o que todo mundo sabe: a política está no sangue e político raramente se aposenta, a não ser que seja aposentado compulsoriamente pelo eleitor. Portanto, Confúcio vai sim disputar o Senado no ano que vem. O que não se sabe ainda é se será pelo PMDB. Fica cada vez mais difícil que isso aconteça, até porque Valdir Raupp quer mais uma reeleição e não pretende dividir votos com seu companheiro de partido. O que Confúcio fará? É muito provável que ele troque de partido, até março do ano que vem. Ele tem pelo menos cinco convites oficiais e até lá, certamente, receberá alguns outros, até porque do alto dos seus 78 por cento de aprovação no Governo, é nome quentíssimo para uma das vagas ao Senado. Então, sobre o assunto, nada o que se diz publicamente hoje vale mesmo. O real está nos bastidores e os resultados oficiais só serão conhecidos em meados de março de 2018.

MAURÃO NO MESMO QUADRO

O caso de Maurão de Carvalho também tem alguma semelhança. Ele é o nome mais quente do PMDB, está bem em todas as pesquisas e crescendo. Mas uma ala do PMDB quer mesmo é se aproximar de Acir Gurgacz, para fechar um frentão que facilite a eleição de Valdir Raupp. Claro que publicamente ninguém fala nisso, mas a verdade é que essa versão é baseada na mais pura verdade. Parte dos peemedebistas quer Maurão como seu candidato ao Governo, mas outra ala quer negociar com Acir. Nada está definido ainda, embora as palavras oficiais sejam diferentes. Como Confúcio, o presidente da Assembleia tem muitos trunfos nas mãos, ao colocar o peso do seu nome para apreciação dos eleitores. Também pode escolher para qual partido levará seu prestígio e seus milhares de seguidores. Maurão, tal Confúcio, tem sido convidado por várias siglas, para disputar o Governo. Por enquanto, contudo, nada será decidido. Os próximos 120 dias serão de costuras, cozidos políticos, conversas e mais conversas. Tipo lá por 15 de março é que tudo estará definido. Daí saberemos quem vai com quem e quem vai contra quem...

CASSOL E A MUDANÇA RADICAL

Outra incógnita é o efeito Ivo Cassol. Caso ele possa disputar o Governo, como seus seguidores têm certeza de que conseguirá, a situação muda radicalmente. Cassol é um peso pesado entre o eleitorado rondoniense. Vejam-se todas as pesquisas, onde ele normalmente aparece liderando. Mas, injustiçado, pode acabar fora da corrida pelo Palácio Rio Madeira/CPA. Nessa segunda hipótese, a situação será bastante diferente, porque Cassol tem um enorme prestígio pessoal, mas não tem conseguido transferir votos. Assim, a disputa de 2018 ao Governo ainda está nebulosa, porque não se sabe exatamente como a situação do ex governador e senador de Rolim de Moura estará, quando ele for registrar sua candidatura. Os adversários estão acendendo velas para todos os santos, torcendo contra Cassol, porque sabem que se ele for candidato, a coisa pode complicar muito, para a maioria deles. Enfim, também passa pelo Judiciário o futuro das eleições em Rondônia. A expectativa da decisão final do STF sobre os recursos de Cassol é enorme, no Estado.

AÍ VEM OS CARAS NOVAS!

Caras novas podem surpreender? Há quem ache que sim. Há que considere apenas factoides, sem chances de reais de se tornar realidade, até porque o eleitorado é tradicional e pouco afeito a investir em novidades, com raras exceções, como o caso de João Dória, em São Paulo e no próprio Hildon Chaves, em Porto Velho. Quem tem aparecido bastante na mídia e vem mesmo para disputar o Governo ou o Senado é o procurador Héverton Aguiar. O nome do desembargador Gilberto Barbosa não fica fora de nenhuma lista de possíveis candidatos em 18. O jovem advogado Vinicius Raduan, do PSOL, anda animado, mas, num partido nanico, sem grandes perspectivas, ele vem mais para participar e se tornar conhecido do que qualquer outra coisa. Outro jovem, o empresário Augusto Pellucio, não passou de uma possibilidade de se tornar candidato ao Governo. E o sempre bem votado professor e pastor Aluízio Vidal? Nas pesquisas para o Senado em Porto Velho, ele já apareceu liderando. Terá fôlego para crescer no resto do Estado? Enfim, há nomes para todos os gostos, na pré relação de possíveis candidatos no ano que vem...

PERGUNTINHA

Você que é rondoniense, concorda com a pesquisa que aponta Bolsonaro como líder nas intenções de votos e com Lula apenas no quarto lugar, ou acha que isso é apenas invenção e forçação de barra?

 

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Fonte: Sergio Pires/newsrondonia

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