Segunda-Feira , 03 de Julho de 2017 - 14:35 - Geral

COM AUMENTO, PORTO VELHO TERÁ UMA DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS MAIS CARAS DO BRASIL

Índice chega perto dos 30% e entra em vigor a partir da meia-noite do sábado, dia 08.

Antes de sair de férias e passear entre os brinquedos da Disneylândia, em Orlando (EUA), e pela Avenue des Champs-Élysées, em Paris (França), o prefeito Hildon Chaves (PSDB) deu um verdadeiro presente de grego para os portovelhenses: o aumento na tarifa dos ônibus de R$ 3 para 3,80, chegando ao índice de 26,6%, mais de quatro vezes acima da inflação oficial de 2016, que ficou em 6,29%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Com isso, a Capital de Rondônia vai ficar com a triste posição de quarta passagem de ônibus mais cara do país, sendo superada apenas por Curitiba (R$ 4,25), Belo Horizonte (4,05) e Florianópolis (3,90 em dinheiro e 3,71 no cartão).

Porto Velho se igualaria ao Rio de Janeiro e São Paulo, porém, são as duas cidades mais populosas do Brasil e com mais opções de transportes, segundo um especialista em mobilidade urbana. “Em Porto Velho, o usuário só tem a opção dos ônibus como transporte público e que já é bastante limitado para uma capital de 500 mil habitantes, pois conta com apenas 160 veículos. Já Rio e São Paulo têm metrô, centenas de linhas de ônibus, VLT, trens da CPTM e Supervia e vans, que atendem algumas regiões dessas cidades. É lamentável que tenham decidido esse reajuste salgado em tempos de crise”, apontou Augusto Nunes, engenheiro de trânsito, professor de uma faculdade particular e com especialização na área.

Justificativas

As justificativas para colocar mais esse peso no bolso do consumidor foram um ano sem reajuste e o diesel ter aumentado 9,5% no final do ano passado. O novo valor foi definido após reunião do Conselho Municipal de Transporte Coletivo (Contrans), formado por membros de órgãos públicos e entidades sociais.

O Contrans é formado pelos secretários Marden Negrão (Trânsito), Zenildo Santos (Educação), Django Ferreira (presidente da União dos Estudantes Secundaristas), Diego Muniz (representante da Câmara de Vereadores), José Cantídio (representante da Sempog), Edilson Pereira da Silva (presidente do Sitetuperon), Elison Marques Alves (representante da Federação dos Deficientes - Feder) e Jader Luiz Bavaresco (representante da Secretaria de Obras – Semob).

População desaprovou

Pelas ruas, a grande maioria dos usuários do Consórcio SIM não gostaram da notícia do aumento no valor da passagem de ônibus. “Se tivéssemos ônibus decentes, limpos e novos, aí sim valeria pagar 3,80, como no Rio, São Paulo ou em Curitiba. Mas, são ônibus reformados de outros estados e que demoram horas. Eu mesmo, logo de manhã cedo, tive que esperar mais de 40 minutos para ir ao trabalho. Só de ida e volta vou gastar 7,60, e em um mês, a quase 200 reais. É quase o valor de uma parcela de uma moto”, desabafou Gabriela Dias, técnica de enfermagem.

A opinião também é compartilhada por quem também perdeu o emprego com a crise econômica. “Perdi meu emprego tem três meses. Estou vivendo de seguro-desemprego e vira e mexe vou ao SINE pra ver as vagas e a algumas entrevistas. Faço tudo de ônibus, mas com esse preço aí, vou ter que economizar nas passagens e andar mais de bicicleta. É mais cansativo, vou ficar todo suado, mas é o jeito. Bom, que aproveito para ficar em forma e cuido da saúde”, disse o eletricista Antônio Gomes, morador da zona Sul.

“Eu estudo e faço estágio remunerado. A empresa me dá o vale-transporte, mas às vezes preciso fazer trabalhos e pesquisas. É uma economia ótima nesses tempos de crise, especialmente pra um universitário que tem o orçamento apertado. Mas, vai ser difícil para a grande maioria da população pagar esse valor de 3,80”, afirmou Patrícia Alves, aluna da UNIR.

Alternativa

De acordo com um especialista que atua na área da defesa do consumidor, o único meio do usuário não pagar essa conta salgada é uma ação judicial que barre o aumento do valor da passagem de ônibus. “Recentemente, soube que em Manaus queriam aumentar o preço da passagem de ônibus para 3,75. Entraram na Justiça e decidiram por um valor menor. Ponto para o consumidor”, apontou o advogado João Ferreira.

Segundo o consultor jurídico ouvido pelo News Rondônia, João Roberto Soares, “com o aval dos membros do Conselho Municipal de Transporte, entre os quais, os secretários de Transporte, de Obras, Educação, Planejamento, mais representante estudantil, um do Sitetuperon e da Câmara de Vereadores, o prefeito se sentiu em casa para só homologar o novo reajuste”.

Outros consultores também apontaram que “o novo reajuste seria contestado em ação civil pública no Judiciário, vez que o Consórcio SIM insiste, em quase dois anos sem licitação, a não ser obrigado a renovar a frota, instalar ares-condicionados nos veículos, reativar a integração total e, no mínimo, revitalizar paradas e as subestações de embarque e desembarque nos pontos finais dos bairros”.

*Com revista Exame e Xico Nery.

Fonte: NewsRondônia

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