Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2017 - 11:26 (Colaboradores)

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LIVRE

É UM BALAIO DE GATOS A DEMOCRACIA BRASILEIRA

O eleitorado está ressabiado, e cada dia avista a democracia representativa ser substituída velozmente pela democracia da camaradagem entre pares e poderes, violando regras constitucionais que vedam interesses privados atrelados ao exercício de mandatos eletivos.

É uma confusão só a democracia brasileira. Ela é ditada pela impaciência, pela interferência entre poderes e pelo salve-se quem puder nas redes sociais, para parecer que esse ou aquele representante eleito conforme regras do jogo democrático, seja para o parlamento ou executivo, veste direitinho o figurino encomendado pelo eleitorado.

O balaio de gatos que semanalmente produz frutos lá pelo planalto central, onde Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional causam embaraços à farta, como a decisão do ministro Luiz Fux que determinou em dezembro que a lei anticorrupção fosse devolvida pelo Senado à Câmara, interferência indevida noutro poder, deu o ar da graça logo no início de mandato do prefeito Hildon Chaves, de Porto Velho.

Não sei direito como foi gestada a ideia de levar à apreciação dos vereadores um projeto que, segundo li na imprensa, teria chegado de última hora, apanhando de surpresa os vereadores. Muitos correram para as redes sociais para tentar salvar a pele por ter votado pelo fim do quinquênio para os servidores municipais. Inês é morta. Perderam a confiança de trabalhadores organizados e barulhentos.   

Dizer que não sabiam ou que confiaram numa orientação de voto da liderança do prefeito não repara o estrago feito. Espaços legislativos, tanto em Brasília quanto em qualquer lugar, são cheios de tramoia.

O eleitorado está ressabiado, e cada dia avista a democracia representativa ser substituída velozmente pela democracia da camaradagem entre pares e poderes, violando regras constitucionais que vedam interesses privados atrelados ao exercício de mandatos eletivos.

Só há um jeito de se sair bem doravante: cada um cumprir seu papel. Desconfiar sempre das informações dadas sobre uma matéria. Tem de beber direto na fonte, lendo o projeto. Aqui e na Câmara dos Deputados não é incomum parlamentares assinarem propostas absolutamente inconstitucionais, verdadeiras aberrações, porque de fato não leram ou para fortalecer o espírito de corpo.  

A verdade é essa: a Mesa Diretora e lideranças partidárias são os que detém o conhecimento real do que está embutido em matérias polêmicas. Se o nobre vereador ou vereadora não querem fazer parte de conchavos com meia dúzia, que faça seu trabalho com decência.  

Se a prefeitura tivesse feito sua parte, um estudo sério apontando onde não existe mais e o impacto real nas contas do tesouro municipal, apresentando-o com absoluta transparência aos setores afetados e vereadores, o prefeito Hildon teria evitado o desgaste ocorrido logo no início do mandato.

Os tempos da democracia brasileira que mais parece um balaio de gatos são marcados não apenas pela falta de lideranças preparadas para cargos que ocupam, mas também pela impaciência.

Executivos tomam decisões na velocidade do som, projetos são esquecidos, não sem antes ser lançados com entusiasmo, reuniões começam sem pauta e terminam sem decisão alguma.           

Talvez tenha tido alguma dose disso na decisão mal encaminhada pela prefeitura de Porto Velho, que gerou revolta dos servidores e recuo por parte do prefeito. Não conversaram antes com os sindicalistas?

Há uma deficiência crônica na capacidade de análise por parte dos que ocupam postos públicos – assessores incluídos -, talvez pelo excesso de confiança, e pouco apreço ao diálogo, dissonantes da democracia. Constituir mesa de diálogo com servidores, antes do caos, tornaria tudo menos difícil.    

Como eu faço agora?

Perguntou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ao receber do Senado a lei anticorrupção que havia sido aprovada em sessão por ele presidida, e estava na Câmara Alta para apreciação.

O deputado, que não é de primeiro mandato, disse que a situação ficou confusa e não sabe o que fazer. É a democracia da interferência e da confusão - nesse caso, o culpado é o Supremo.

As ruas de março

As ruas de março serão tomadas por manifestações. Será no dia 26. O MCC, Nas Ruas, MBL e Vem pra Rua não irão pedir “Fora Temer”, ainda bem. Constroem pauta que inclui fim do foro privilegiado, a favor de reformas e apoio total à Operação Lava Jato.

Email: maraparaguassu1@gmail.com

Fonte: Mara Paraguassu

Link: http://www.newsrondonia.com.br/noticias/e+um+balaio+de+gatos+a+democracia+brasileira/87386

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